ExpoLondrina 2026

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15/04/2026

Visitantes da ExpoLondrina podem provar queijos artesanais premiados, embutidos e patês de pimenta

Por Luís Fernando Wiltemburg

A variedade de produtos artesanais à disposição do paladar do público na ExpoSabores pode surpreender os visitantes da ExpoLondrina. Entre os sucos, cafés, bebidas e doces, também é possível provar queijos artesanais diferenciados e premiados nacional e internacionalmente e os mais diversos embutidos, incluindo a paranaense, e cada vez mais notória, cracóvia. 

A Estância Baobá, de Jaguapitã, oferece queijos diferenciados, de vacas e ovelhas, oriundos da agroecologia. Isso significa que o leite utilizado vem dos próprios rebanhos que se alimentam de pasto sem pesticidas, herbicidas ou outros produtos químicos. Além disso, vivem fora de confinamento, na companhia dos filhotes e sem situações estressantes. Tudo isso interfere diretamente na qualidade do leite e no sabor dos derivados, explica a chef Lívia Trevisan Cambefort.

Após quinze anos vivendo fora, ela e o marido decidiram voltar ao Brasil, há dez anos, para colocar em prática a ideia de produzir queijos finos. “São produtos que, há dez anos, não existiam no mercado, feitos com mofo azul, mofo branco, fermentados, temperados e maturados”, afirma. 

A linha de produtos inclui dez tipos diferentes de queijos. Alguns com sabores mais encorpados e marcantes podem se assemelhar a outros tipos já conhecidos, como o brie, roquefort e gorgonzola, por exemplo. Outros, com sabores mais suaves, aproximam-se mais do que a maior parte da população conhece. “A proposta de fazer queijos autorais nos afasta de nos enquadrarmos em tipos. Mas, aproximamos a ideia do que o consumidor vai receber batizando os produtos com algo que remete ao que é mais conhecido”, diz. 

Esses diferenciais estão na coleção de prêmios que os produtos já levaram no Paraná, no Brasil e em concursos internacionais. Só o requeijão de corte da Baobá, por exemplo, levou cinco medalhas. O Baobrie, três. Ao final, dos quinze produtos, dez já levaram ao menos uma premiação, incluindo a manteiga com flor de sal, que tem duas. 

A variedade dos produtos da Queijaria Cornélia não está em diferentes tipos de queijo, mas nas inovações da apresentação do gouda. Localizada em Arapoti, nos Campos Gerais, a produção teve início em 2013, quando Gezina Krikke “cansou de ser professora de holandês”.

A receita original veio da sogra, também holandesa, que imigrou para o Brasil em 1960, cerca de 20 anos antes de Gezina. “Ela passou a receita para as noras”, recorda. O gouda é típico da Holanda e, na Cornélia, foi acrescido de cominho, feno grego, feno italiano, ortiga, cominho e até café. Os ingredientes são acrescentados após a massa ficar pronta, antes de maturar. 

Além dos prêmios que os produtos de Gezina levaram, o último orgulho é a presença no cardápio da premiação do Guia Michelin Rio de Janeiro & São Paulo, no Copacabana Palace, na última segunda. “Eu estava lá até ontem. O Chefkoch (chefe de cozinha, em alemão) utilizou o Cornélia Feno Grego na receita dele”, orgulha-se. 

Com produção artesanal, mas mais próximo dos conhecidos pelos brasileiros, a Queijaria Rancho Seleção fica no km 6 da Rodovia Carlos João Strass, entre os distritos do Heimtal e a Warta. O foco principal era a produção de leite tipo A. “A partir dele, nós fazemos queijos frescal, queijo temperado, maturado de sessenta dias, parmesão maturado por cinco anos,  queijo de mofo azul, doce de leite tradicional e com café, manteiga e iogurte natural, sem sabor”, elenca Vânia Martins. 

Por ser fornecedor apenas de estabelecimentos locais, optaram por focar em tipos que agradam o paladar londrinense.  Mas, a quantidade de medalhas no estande não deixa dúvidas: o sabor também agrada fora de Londrina. “Nós começamos a ganhar prêmios em 2018. No começo, eram só certificados, que não estão aqui. E, na quinta-feira, começa a quarta edição do Concurso Mundial de Queijos. Vamos estar lá!”, garante. 

O pouco tempo de regularização do queijo colonial do Rancho Zulian, em Rio Branco do Ivaí, não impediu a premiação dos produtos feitos por Lilian Lara de Souza. Oriunda do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, produz queijos há 20 anos, mas precisou de auxílios e incentivos dos governos Federal e Estadual para investir e regularizar o produto. “Eu tenho uma pequena propriedade da reforma agrária, desde 2014. Eu tinha atividade com leite, mas a renda nunca foi muito estável e decidi agregar o valor no meu trabalho. E isso demanda trabalho, coragem e dedicação”, diz Lilian. 

O trabalho deu certo e o queijo colonial maturado que produz já levou dois prêmios nacionais, em 2024 e 2025, além de um no Paraná. “Eu não tenho nem como te explicar em palavra a emoção que eu sinto de produzir um queijo de qualidade na minha agroindústria. E ele é reconhecido no estado e até fora”, orgulha-se. 

Para ela, estar na ExpoLondrina é uma vitrine do seu negócio para o consumidor, fomentando futuros negócios. “Tem gente que sabe que eu estou aqui e está vindo atrás do meu produto, que ele já conhece. Então, para mim, estar aqui hoje é um sonho muito grande. O meu objetivo é um dia estar num lugar como esse, onde tem público, onde a gente consegue colocar o que eu tenho de melhor direto pro consumidor, sem o atravessador”, finaliza.

 

Ideia ucraniana, sabor brasileiro

Produto com certificado de indicação geográfica, a cracóvia é o carro-chefe da Sabores de Prudentópolis, local onde a iguaria foi criada por ucranianos que vieram ao Brasil e descendentes. “Na Ucrânia, ela não existe”, conta Inácio Moleta. Outros produtos da marca também estão no estande, como outros embutidos, o queijo colonial e uma linha de patês, feitos com pimenta – uma receita ensinada por um japonês, diz Moleta –, pimenta e abacaxi defumado, pimenta verde, tomate seco e caponata, entre outros. 

Para todos que chegam ao estande, Moleta oferece um pedaço de cracóvia. A seleção de patês também chama a atenção pela variedade. Porém, de acordo com ele, o que fez sucesso foi o queijo colonial da casa. Dos quase 200 que trouxe para a feira, apenas dois estavam à venda durante a entrevista. E mais um foi vendido ao final dela. 

Em sua quarta vez na ExpoLondrina, a Machulek Produtos Coloniais oferece a cracóvia e mais de 25 produtos de origem suína. “Temos salame, linguiça blumenau, linguiça colonial, copa, morcela, torresmo colonial, pururuca, banha... É uma linha toda derivada de suínos”, explica João Fernando dal Santo.

Porém, de acordo com ele, mesmo com tanto tempo vindo para Londrina, muitos não conhecem a cracóvia. Mas, é um tipo de salame? “Não, a cracóvia é preparada com pernil de porco, sem gordura alguma, enquanto o salame tem. Além disso, no preparo, é cozida e defumada, enquanto o salame é só defumado”, ensina. 

Os produtos da Machulek são feitos artesanalmente, por quatro irmãos que trabalham na agroindústria e seguiram os passos do pai, ucraniano. Santo avalia que a produção artesanal é um diferencial em relação ao industrializado, que se reflete diretamente no paladar. “Nossos produtos não têm aditivos químicos. Claro, precisamos colocar conservantes e sal, mas é tudo natural”, diz.

 

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