Por
Erika Zanon
A
diversidade de temas e o olhar estratégico sobre o crescimento do mercado pet
marcaram o V Simpósio de Pequenos Animais, realizado hoje (15) durante a
ExpoLondrina. Promovido pela Sociedade Rural do Paraná (SRP), em parceria com o
curso de Medicina Veterinária da Faculdade Cristo Rei (Faccrei), o evento
reuniu especialistas para discutir desde o avanço comercial dos animais
silvestres como pets até a profissionalização da gestão em clínicas
veterinárias.
Coordenador
da programação pet da feira, Luciano Vladimir Costa destaca que o simpósio acontece
como uma extensão de conteúdo da vitrine comercial representada pela feira. “A
necessidade de qualificar e capacitar o setor é cada vez maior, por isso
retomamos o evento como um espaço para levar conhecimento a empresários,
estudantes e profissionais dessa área”, afirmou Luciano, lembrando que em 2026
o simpósio está na quinta edição, mas ficou alguns anos sem ser realizado.
Para
o professor Flávio Guiselli Lopes, coordenador do curso de Medicina Veterinária
da Faccrei, o evento também cumpre um papel importante ao ampliar a percepção
do público sobre a ExpoLondrina. “Além do agronegócio tradicional, o mercado
pet está em ascensão e precisa estar inserido nesse contexto. O simpósio
aproxima profissionais, acadêmicos e instituições, fortalecendo o setor e
estimulando a profissionalização”, ressaltou.
Um
dos destaques da programação foi a palestra do médico veterinário e biólogo
Rafael Haddad, que abordou o crescimento do mercado de animais silvestres como
pets, um segmento ainda recente, mas em franca expansão no Brasil. Segundo ele,
além de representar uma alternativa econômica para produtores e uma nova área
de atuação para profissionais, o setor exige responsabilidade e cumprimento
rigoroso da legislação.
Haddad
explicou que a criação legalizada depende de licenciamento ambiental e de
rastreabilidade dos animais, garantindo origem regular e evitando crimes
ambientais. Esse controle envolve diferentes etapas e exige acompanhamento
constante, o que reforça a importância da qualificação dos profissionais que
atuam na área. Entre os pets mais procurados, segundo ele, estão aves como
papagaios e araras, além de répteis como tartarugas e serpentes, que têm
ganhado espaço principalmente em centros urbanos, especialmente entre pessoas
que buscam animais com menor demanda de espaço e manutenção.
O
especialista também destacou que o crescimento do segmento impacta toda a
cadeia produtiva, desde fábricas de ração e equipamentos até a formação
acadêmica, que começa a se adaptar a essa nova demanda. Ao mesmo tempo, ele
chamou atenção para a necessidade de conscientização dos tutores sobre a posse
responsável. “É um mercado que cresce ano a ano e que demanda informação e
preparo, tanto de quem cria quanto de quem adquire”, afirmou, ressaltando que a
legalidade é um dos pilares para o desenvolvimento sustentável do setor.
Cresce
mercado de gatos
O
avanço do número de gatos no Brasil também esteve em pauta na palestra da
especialista Roseli Tacioli, que há mais de 25 anos atua com felinos. De acordo
com ela, o País já conta com cerca de 33 milhões de gatos, com crescimento
médio de um milhão de animais por ano na última década. Esse movimento, conhecido
como “felinização”, tem impulsionado novas demandas no setor e ampliado as
oportunidades de atuação profissional.
Além
de abordar o comportamento e os cuidados com os animais, Roseli chamou atenção
para doenças específicas, como a Doença Renal Policística (PKD), mais comum em
algumas raças, como a Persa. Segundo ela, fatores genéticos e características
naturais da espécie contribuem para o desenvolvimento de problemas renais, o
que exige atenção redobrada por parte de tutores e profissionais. A especialista
também destacou a importância de práticas de manejo desde cedo, como adaptação
ao banho, higiene e escovação, que facilitam o acompanhamento da saúde do
animal ao longo da vida.
Outro
ponto abordado foi a importância da observação no dia a dia, já que alterações
na pele, no pelo ou no comportamento podem indicar problemas de saúde. Para
ela, o crescimento do mercado felino também vem acompanhado de maior
especialização, tanto na área veterinária quanto em produtos e serviços
voltados exclusivamente para gatos, reforçando a consolidação desse nicho
dentro do setor pet.
Gestão
é desafio para clínicas veterinárias
O
médico veterinário e empresário Emilio Borges Faria trouxe um alerta importante
sobre a profissionalização do setor: muitos profissionais ainda não dominam a
gestão dos próprios negócios.
Segundo ele, o Brasil conta com cerca de 177 mil veterinários registrados e aproximadamente 77 mil CNPJs ativos na área, entre clínicas, hospitais e profissionais autônomos. Apesar do volume expressivo, a maioria ainda carece de conhecimentos em gestão, liderança e vendas. “Não basta ser um excelente técnico. Se o profissional não entende de números e de gestão, o negócio não se sustenta”, afirmou.