Por Vitor Ogawa
A 64ª Exposição Agropecuária e
Industrial de Londrina (ExpoLondrina 2026) reúne no Parque Ney Braga Eventos as
principais inovações para a pecuária nacional. Entre os estandes mais
procurados estão os fabricantes de troncos de contenção e balanças, que
apresentam equipamentos cada vez mais voltados ao bem-estar animal, à segurança
do trabalhador e à integração tecnológica. A Amos, a Açores e a Zebu são
algumas das expositoras que apostam em materiais sustentáveis, redução de ruído
e até projetos com inteligência artificial para os próximos anos.
Giovani Antônio Garrido Bego,
responsável por desenvolvimento de novos produtos e TI da Amós, apresentou o
lançamento da marca para a feira: o tronco manual EcoSafe. O equipamento foi
desenvolvido a partir de pedidos de pecuaristas que buscavam um modelo menor,
mais econômico, mas com o mesmo desempenho dos troncos robustos já existentes.
O EcoSafe é todo manual e operado
por uma única pessoa, por meio de uma alavanca que aciona o portão de entrada,
a pescoceira e a grade lateral. O material utilizado é uma fibra polissintética
reciclável, desenvolvida pela própria empresa, com garantia vitalícia. A
estrutura é em aço com pintura eletrostática de sete camadas. O tronco sai por
R$ 55 mil, já com balança e montado na propriedade. O pagamento pode ser feito
à vista (metade na compra e metade na entrega) ou parcelado em até dez vezes no
cartão de crédito.
A Amos também expôs o tronco
americano (R$ 70 mil na feira) e o hidráulico Titânio (R$ 158 mil com balança,
apartação e bomba hidráulica), além de uma gaiola de pesagem e currais móveis
para integração lavoura-pecuária.
Bruno Sella, gerente nacional da
Açores, destacou duas novidades: a seringa automatizada (patente exclusiva da
marca) e o tronco Combat 300 Prime. A seringa, que custa R$ 220 mil durante a
exposição (fora da feira chega a R$ 270 mil), é acionada por comandos
hidráulicos, eliminando o risco de acidentes com funcionários dentro do curral
e reduzindo o estresse dos animais.
Já o tronco Combat 300 Prime foi desenvolvido com medições de decibéis e níveis de cortisol, resultando em um equipamento com 85% menos barulho do que qualquer outro do mercado. O material substituiu completamente a madeira por aço e polietileno de alta densidade, com pescoceiras emborrachadas e cor escura para não desorientar o animal. O modelo automatizado sai por R$ 155 mil, enquanto os manuais variam de R$ 49 mil (sem balança) a R$ 69 mil (com balança). As condições de pagamento vão até 18 vezes no cartão ou boleto.
A Açores, que completa 70 anos em
2026, foi a primeira fabricante de troncos de contenção do Brasil (com o
lendário "Vira Mundo"). Hoje ela exporta para 18 países e deve
receber em breve um certificado inédito do Instituto de Zootecnia de Ribeirão
Preto (IZ) para bem-estar animal e manejo racional. Sobre inteligência
artificial, Bruno adiantou que a empresa tem um projeto em desenvolvimento para
pesagem de animais, com previsão de lançamento até outubro deste ano.
Rodrigo Martins, da Zebu Troncos e Balanças (sede em Rolândia/PR), apresentou como novidade o tronco Primer Stock, todo em aço carbono e plástico (substituto da madeira bio sustentável). O grande diferencial fica por conta das travas inteligentes, que substituem o antigo sistema de pistão e catraca: elas travam o pescoço do animal sem gerar ruído ou desgaste, eliminando o risco de estouro de retentores. O piso e as pescoceiras são emborrachados. O valor do Primer Stock é de R$ 65 mil com balança digital, entregue montado na propriedade.
A Zebu também oferece um modelo modular, que permite ao pecuarista começar com um equipamento menor (a partir de R$ 38 mil com balança) e ir acrescentando cabine dianteira, traseira e acessórios conforme a necessidade. A empresa mantém ainda o tronco americano de madeira (R$ 55 mil), mas Rodrigo afirma que, por conta da burocracia ambiental, a tendência é migrar totalmente para os materiais sintéticos em breve. As condições de pagamento vão até 18 vezes. A Zebu atende todos os estados brasileiros e também exporta para Paraguai, Uruguai, Argentina, Bolívia e Peru. Para Rodrigo, a ExpoLondrina representa "estar em casa", e sua expectativa é que a feira mantenha a essência da pecuária e da lavoura da região.
Pedro Maia, consultor técnico da Backhauser, apresentou o modelo 2026 da marca, batizado de Total Flex. A principal inovação é o conceito modular: o pecuarista pode montar o equipamento como se montasse um carro, escolhendo os módulos e peças que deseja. O equipamento parte de um monobloco central, e a partir dele o cliente define o tipo de contenção (no vazio do animal ou com parede móvel que abraça o animal inteiro), o número de pescoceiras (uma ou duas), o tipo de portão de entrada (folha simples de correr, folha dupla com mola a gás ou folha dupla com trava hidráulica), a presença ou não de cabine do veterinário e o tipo de portão de saída.
A Backhauser recomenda o modelo para propriedades que realizam até 20 mil manejos por ano, orientando uma manutenção preventiva a cada 20 mil manejos. O material utilizado é aço tratado com banhos químicos anticorrosivo e pintura eletrostática de três camadas, que não craquela com impactos ou intempéries. As partes que seriam de madeira foram substituídas por polipropileno, duas vezes mais resistente que a madeira e ambientalmente correto.
A empresa patenteou o nome Backsafe para o equipamento, com o objetivo de abandonar o termo "tronco" (associado a práticas antigas de derrubar animais) e reforçar o compromisso com o bem-estar animal. Os preços variam conforme a configuração: o modelo com portão de folha dupla e duas pescoceiras (sem travas hidráulicas) sai a R$ 68 mil sem balança ou R$ 88 mil com balança (a Backhauser trabalha com a balança Datamars/Tru-Test, líder mundial e de origem australiana). O modelo com dois pistões hidráulicos adicionais custa R$ 75 mil sem balança ou R$ 95 mil com balança. Os equipamentos hidráulicos partem de R$ 125 mil, e o modelo de parede móvel hidráulico para grandes confinamentos (aço reforçado) sai a partir de R$ 220 mil.
Wilson Manhães, vendedor da Troncos Progresso, apresentou os três modelos expostos pela empresa, que está há 56 anos no mercado e participa da ExpoLondrina há 40 anos ininterruptos. A empresa é sediada em Assis Chateaubriand (PR). Ele informa que o modelo americano com parede móvel completo sai por R$ 60 mil com balança. O tronco Result, mais simplificado, custa R$ 49 mil com balança. E o modelo Master, top de linha da marca, sai por R$ 74 mil com balança eletrônica. Todos os modelos são manuais (com trava hidráulica, mas sem comando hidráulico).
A Troncos Progresso também expõe cochos para sal: o cocho simples de 2,5 metros custa R$ 7.900, e o cocho duplo de 5 metros sai por R$ 14.800. Os troncos da empresa são fabricados em material misto: cerca de 30% de madeira de lei (cumaru, proveniente do Pará) e 70% de aço, com pintura eletrostática de três camadas para proteção contra corrosão causada pela urina dos animais. Wilson destacou que a empresa atende pequenos, médios e grandes pecuaristas, e que a ExpoLondrina representa um ponto de referência e encontro entre a empresa e os clientes.