Apresentação da HYH Biotechnology acontece no dia 13 de abril e marca a entrada no mercado de uma nova geração de bioinsumos, como fungicidas e bactericidas, baseados em peptídeos bioativos
A HYH Biotechnology, startup de biotecnologia de Londrina, escolheu a ExpoLondrina para lançar oficialmente uma tecnologia que pode representar uma nova geração de soluções para o agronegócio. A empresa apresenta, na próxima segunda-feira (13), uma plataforma inovadora baseada em peptídeos bioativos para o controle de fungos e bactérias em culturas agrícolas, com foco inicial na soja. O lançamento será realizado às 16h, no Pavilhão Smart Agro, reunindo empresas do setor, profissionais de inovação e potenciais parceiros interessados no desenvolvimento e aplicação da tecnologia.
Desenvolvida a partir de mais de uma década de pesquisas em biotecnologia e bioinformática, a plataforma permite criar moléculas com alta precisão para atuar diretamente em patógenos agrícolas. Os peptídeos desenvolvidos podem funcionar como fungicidas, bactericidas e indutores de resistência, protegendo as plantas de forma mais específica e eficiente.
Segundo as fundadoras da startup, a agrônoma e doutora Nayara Okumoto e a pesquisadora e doutora Renata da Rosa, a tecnologia se diferencia por utilizar engenharia molecular para projetar moléculas inéditas, análogas às naturais, mas modificadas para aumentar sua eficácia e viabilizar proteção intelectual. “São moléculas desenhadas para reconhecer e agir diretamente nos patógenos que atacam as plantas, o que permite um controle mais assertivo e com menor impacto ambiental”, explica Renata.
Precisão e menor impacto ambiental
Diferentemente dos fungicidas químicos tradicionais, que podem gerar resíduos e favorecer a resistência de patógenos, e dos biológicos, que dependem de organismos vivos e são sensíveis a condições ambientais, os peptídeos bioativos representam uma abordagem intermediária: São biotecnológicos, estáveis e altamente específicos.
Testes experimentais já realizados indicam níveis de controle superiores a 80% contra patógenos relevantes da soja. Outro diferencial é a biodegradabilidade, uma vez que após sua ação, as moléculas se degradam em aminoácidos, reduzindo o impacto ambiental.
Além disso, o desenvolvimento é mais rápido. Enquanto um produto químico ou biológico pode levar até 10 anos para chegar ao mercado, os peptídeos desenvolvidos pela empresa foram criados em cerca de dois anos, com apoio de modelagem computacional. As pesquisadoras ressaltam que mais de 90% do processo de desenvolvimento destes produtos acontece no laboratório de bioinformática.
Tecnologia semelhante à utilizada na área da saúde
Os peptídeos bioativos utilizados na agricultura pertencem à mesma classe de moléculas já amplamente empregada em áreas como saúde e cosmetologia. Medicamentos modernos baseados em peptídeos - como as famosas canetinhas para emagrecimento, utilizadas no tratamento da obesidade e do diabetes - ganharam destaque nos últimos anos por sua capacidade de atuar de forma altamente específica em alvos biológicos.
No agronegócio, esse princípio começa a ser explorado como uma alternativa para tornar o controle de doenças mais preciso e sustentável.
Ciência brasileira
A HYH Biotechnology é uma empresa deep tech, focada em pesquisa e desenvolvimento e dedicada à criação de tecnologias biotecnológicas proprietárias. O modelo de negócio é voltado à transferência de tecnologia e objetiva parcerias com companhias do agronegócio e multinacionais interessadas em licenciar e desenvolver essas moléculas em escala industrial.
A empresa reúne especialistas em biotecnologia, genética e bioinformática, e utiliza ferramentas avançadas de modelagem molecular para projetar novas moléculas antes mesmo da fase experimental. “Nosso objetivo é transformar ciência de ponta em soluções aplicáveis ao mercado global”, afirma Renata.
Durante a apresentação na ExpoLondrina, as pesquisadoras também vão detalhar os fundamentos científicos da tecnologia, os resultados obtidos até o momento e as próximas etapas do desenvolvimento, que incluem testes em campo.