Por Mariana Guerin
Foi apresentada nesta sexta-feira (10), durante o painel “Territórios de Inovação do Agro Paranaense”, a IA Laís, uma ferramenta baseada em Inteligência Artificial desenvolvida pela diretora de Inovação da Sociedade Rural do Paraná, Tatiana Fiuza. De acordo com a ela, por meio da Laís é possível acessar startups ligadas ao agro de forma rápida, clara e objetiva. “O usuário pode buscar soluções específicas e a IA direciona para as startups mais adequadas, facilitando a conexão entre demanda e inovação.”
“Esse lançamento estará disponível para produtores, parceiros
e interessados em conhecer melhor as soluções desenvolvidas dentro do
ecossistema. É um passo importante para ampliar o acesso à inovação”, avaliou Tatiana.
Ela explica que a ferramenta nasceu a partir do mapeamento completo das
startups conectadas ao Cocriagro e à GO SRP.
“Todas as soluções foram cadastradas, organizadas por área de
atuação e estruturadas em uma base inteligente de dados. Assim, a busca por
tecnologias deixa de depender de indicações informais ou pesquisas demoradas e
passa a acontecer de forma direta”, detalhou.
O projeto contou com investimentos do Sistema Estadual de
Ambientes Promotores de Inovação do Paraná (Separtec) e foi desenvolvido pela
empresa RICMA, de Maringá. A Laís já está disponível nos canais oficiais do SRP
Valley.
Ainda durante o painel, Tatiana apresentou a estrutura do
ecossistema de inovação da SRP, a evolução da governança Agro Valley com a
reformulação do planejamento estratégico e a definição de novos eixos
estruturantes e destacou conquistas relevantes nos 10 anos de Smart Agro dentro
da ExpoLondrina.
“No último ano, realizamos um importante levantamento de
dados da região. Identificamos mais de 5 mil alunos ligados às áreas de
ciências agrárias e temos trabalhado para aproximar esse conhecimento da
Sociedade Rural e do ecossistema, promovendo discussões mais qualificadas sobre
inovação no agro.”
“Ao longo desse tempo, aprendemos muito. O ecossistema
amadureceu, evoluiu bastante, mas ainda existem desafios a serem superados. Uma
grande conquista é que hoje somos uma referência nacional. Outros ecossistemas
olham para a Agro Valley como exemplo, não só no Paraná, mas em todo o Brasil”,
completou a diretora de Inovação da SRP.
Durante o painel “Territórios de Inovação do Agro
Paranaense”, o público conheceu o trabalho de outras três governanças de
inovação para o agronegócio do Estado: Iguassu Valley, da Região Oeste, a
Governança de Inovação de Maringá e a Campo Valley, de Campo Mourão, no
Centro-Oeste.
De acordo com Renato Lada Guerreiro, diretor regional
de Apoio ao Empreendedor Inovador do Iguassu Valley, o ecossistema é composto 54
municípios e se destaca pela forte integração regional. A atuação conjunta
impulsionou a produtividade e consolidou a região como uma potência na produção
agropecuária, especialmente em proteína animal. “A experiência mostra que o
desenvolvimento não está concentrado apenas nas grandes cidades, mas
distribuído em toda a região, com iniciativas de inovação presentes em
diferentes municípios”, concluiu Guerreiro.
Em Maringá, houve avanços na organização da governança e na
realização de eventos de grande impacto, como hackathons e ações durante a
Expoingá. Já em Campo Mourão, a governança expande com base nas demandas do
setor, com o objetivo de estruturar um ecossistema regional envolvendo mais de
20 municípios. O foco está na integração entre atores locais e no
fortalecimento das cadeias produtivas e já apresentou um importante resultado,
que foi a implantação do curso de Agronomia no câmpus local da Universidade
Estadual do Paraná (Unespar).
Outra nova governança de inovação voltada ao agronegócio deve
nascer na região de Paranavaí, no Noroeste do Estado, onde foi realizado um
levantamento do cenário local, com destaque para as cadeias da laranja,
mandioca e pecuária, e a partir das informações iniciará a formalização da
governança.
“Ter uma governança é essencial no processo de inovação,
especialmente no agro. Se cada instituição atuar de forma isolada, não
conseguimos alcançar o desenvolvimento desejado. Por isso, o trabalho conjunto
é fundamental para definir estratégias e impulsionar o crescimento regional”,
finalizou Tatiana Fiuza.
Paraná Mais Sustentável
Benno Henrique Weigert Doetzer, superintendente da
Superintendência Geral de Ordenamento Territorial (SOT) da Casa Civil do Paraná,
apresentou a plataforma Paraná Mais Sustentável, uma proposta de inteligência
territorial voltada ao agro que busca integrar dados e informações para agregar
valor à produção e promover sustentabilidade. “A proposta surge diante de um
cenário global desafiador, com mudanças climáticas, transformações
tecnológicas, avanço da inteligência artificial e excesso de informações. Hoje,
mais do que acesso a dados, o desafio está em filtrar e confiar nas informações
disponíveis”, questionou Benno Doetzer.
Segundo ele, com a criação de uma infraestrutura de
inteligência territorial que conecta dados das propriedades rurais, produção e
cadeias produtivas, é possível melhorar a gestão, reduzir burocracia e apoiar a
tomada de decisões. A plataforma integra dados de diferentes sistemas, como
registros agropecuários, informações sanitárias e uso de insumos. “O produtor
terá acesso às suas próprias informações e poderá utilizá-las para facilitar
processos como certificações, crédito rural e planejamento da produção.”
Entre os benefícios estão a redução da burocracia, maior
segurança jurídica e acesso a dados confiáveis. “A plataforma também permitirá
análises territoriais, contribuindo para o planejamento logístico,
monitoramento de safras e desenvolvimento de políticas públicas.”
O sistema será acessado por adesão, garantindo que os dados
permaneçam sob controle do produtor, que decide como e com quem
compartilhá-los. Ainda em fase de teste, a previsão é que a ferramenta esteja
disponível a partir de 15 de abril.
Legado Inovador
Em 2026, o Pavilhão Smart Agro foi organizado pensando em
inovação e tecnologia para todos os públicos. Segundo Tatiana Fiuza, o mote
deste ano é “Legado Inovador”. A programação inclui atividades sobre
ecossistemas de inovação, ações para crianças e interessados em robótica, além
de oficinas como marcenaria.
“Durante a semana, haverá uma agenda técnica voltada para
produtores rurais, com foco em inovação e novas tecnologias. No final de
semana, acontece a segunda edição do Hackathon, com o objetivo de transformar
pesquisas em startups, fortalecendo a conexão entre academia e mercado”, citou
Tatiana Fiuza.
Fotografias: Manuella Tomaz