ExpoLondrina 2026

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14/04/2026

Simpósio de Nutrição em Ruminantes reúne especialistas e apresenta novas tecnologias na Expo Londrina

Por Erika Zanon

A programação técnica da Expo Londrina recebeu hoje (14) o II Simpósio de Gestão e Nutrição em Ruminantes, reunindo cerca de 200 produtores, estudantes e profissionais das ciências agrárias em um dia dedicado à troca de conhecimento e apresentação de inovações para a pecuária.

Francisco Fernandes Junior, zootecnista e um dos coordenadores do evento, destaca que o simpósio chega à segunda edição após o sucesso do primeiro encontro. “O encontro apresenta tudo que há de novidade na nutrição, tanto de pequenos quanto de grandes animais, além das tendências para os próximos anos”, destacou.

A programação do Simpósio contou com sete palestras ministradas por especialistas de diferentes regiões do País, incluindo representantes de multinacionais e grandes grupos da pecuária brasileira. Entre os temas, foram abordados desde sustentabilidade, novas matérias-primas até modelos inovadores de produção, como o conceito “farm to table”, que integra todas as etapas da cadeia produtiva. Além das apresentações, o encontro promoveu momentos de interação entre público e palestrantes

Novas tecnologias

Entre os destaques da programação, o médico veterinário Pedro Leonardo Sávio abordou o uso do DDG (grãos secos de destilaria), um subproduto da indústria de etanol de milho que vem ganhando espaço na nutrição animal. Segundo ele, apesar de recente no Brasil, com menos de 10 anos de utilização, o ingrediente já apresenta resultados expressivos quando comparado a insumos tradicionais.

“Em um dos estudos apresentados, a substituição do farelo de soja pelo DDG alta proteína resultou em um aumento de 1,1 quilo de leite por animal por dia. Já em bovinos de corte, foi registrado um ganho adicional de 2,62 quilos de carcaça a cada 10% de inclusão do DDG na dieta”, explicou. O especialista destacou ainda que, por se tratar de uma matéria-prima relativamente nova, eventos como o simpósio são fundamentais para difundir conhecimento técnico e orientar produtores sobre o uso adequado dos produtos.

Outro tema do encontro foi o manejo de pastagens, apresentado pelo engenheiro agrônomo Mateus Gimenez Carvalho, que trouxe o impacto da aplicação de foliares na pecuária moderna. Com foco na eficiência produtiva, ele ressaltou que o pasto, apesar de ser o alimento mais barato na produção animal, ainda recebe menos investimento do que deveria.

“A utilização de foliares pode aumentar entre 10% e 15% a taxa de lotação das áreas de pastagem, melhorando a produtividade sem a necessidade de expansão de área”, afirmou. De acordo com o especialista, a tecnologia atua diretamente na recuperação e no crescimento do capim, especialmente durante o período das chuvas, acelerando a rebrota e aumentando a qualidade nutricional da forragem.

Conhecimento e conexão no setor

Voltado a produtores, estudantes e técnicos, o simpósio reforça o papel da Expo Londrina como um ambiente estratégico para atualização profissional e disseminação de tecnologias no campo. Para os organizadores, a proposta vai além das palestras: criar um espaço de encontro entre diferentes agentes da cadeia produtiva.

“É um momento para conversar, trocar experiências e trazer para Londrina profissionais que muitas vezes não conseguimos reunir ao longo do ano”, finalizou Francisco.

Segurança alimentar em pauta

A zootecnista Letícia Maria de Castro, especialista em desenvolvimento de mercado na Mosaic, destacou durante sua apresentação a importância de avaliar a qualidade das matérias-primas antes da formulação das dietas na pecuária. Segundo ela, a escolha adequada nesse momento é decisiva para o desempenho produtivo, já que, após a aquisição, torna-se mais difícil corrigir falhas que impactam diretamente nos resultados.

De acordo com a especialista, uma boa matéria-prima deve reunir dois pilares: qualidade e segurança. No caso do milho, por exemplo, é fundamental que ele cumpra seu papel como principal fonte de energia na dieta. Grãos comprometidos, como milho ardido, oco ou deteriorado, podem até compor a formulação, mas não entregam o valor nutricional esperado, prejudicando ganhos de peso e produção de leite.

Outro ponto de atenção levantado foi a presença de contaminantes, que podem afetar não apenas a saúde dos animais, mas também a segurança alimentar. Substâncias indesejadas podem permanecer no leite e na carne, chegando ao consumidor final. Por isso, a orientação é que o produtor invista em critérios rigorosos de avaliação na hora da compra, garantindo não apenas eficiência produtiva, mas também qualidade ao longo de toda a cadeia.

 Fotografia: Roberto Custódio

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