Por
Erika Zanon
A
programação técnica da Expo Londrina recebeu hoje (14) o II Simpósio de Gestão
e Nutrição em Ruminantes, reunindo cerca de 200 produtores, estudantes e
profissionais das ciências agrárias em um dia dedicado à troca de conhecimento
e apresentação de inovações para a pecuária.
Francisco
Fernandes Junior, zootecnista e um dos coordenadores do evento, destaca que o
simpósio chega à segunda edição após o sucesso do primeiro encontro. “O
encontro apresenta tudo que há de novidade na nutrição, tanto de pequenos
quanto de grandes animais, além das tendências para os próximos anos”,
destacou.
A
programação do Simpósio contou com sete palestras ministradas por especialistas
de diferentes regiões do País, incluindo representantes de multinacionais e
grandes grupos da pecuária brasileira. Entre os temas, foram abordados desde
sustentabilidade, novas matérias-primas até modelos inovadores de produção,
como o conceito “farm to table”, que integra todas as etapas da cadeia
produtiva. Além das apresentações, o encontro promoveu momentos de interação
entre público e palestrantes
Novas
tecnologias
Entre
os destaques da programação, o médico veterinário Pedro Leonardo Sávio abordou
o uso do DDG (grãos secos de destilaria), um subproduto da indústria de etanol
de milho que vem ganhando espaço na nutrição animal. Segundo ele, apesar de
recente no Brasil, com menos de 10 anos de utilização, o ingrediente já
apresenta resultados expressivos quando comparado a insumos tradicionais.
“Em
um dos estudos apresentados, a substituição do farelo de soja pelo DDG alta
proteína resultou em um aumento de 1,1 quilo de leite por animal por dia. Já em
bovinos de corte, foi registrado um ganho adicional de 2,62 quilos de carcaça a
cada 10% de inclusão do DDG na dieta”, explicou. O especialista destacou ainda
que, por se tratar de uma matéria-prima relativamente nova, eventos como o
simpósio são fundamentais para difundir conhecimento técnico e orientar
produtores sobre o uso adequado dos produtos.
Outro
tema do encontro foi o manejo de pastagens, apresentado pelo engenheiro
agrônomo Mateus Gimenez Carvalho, que trouxe o impacto da aplicação de foliares
na pecuária moderna. Com foco na eficiência produtiva, ele ressaltou que o
pasto, apesar de ser o alimento mais barato na produção animal, ainda recebe
menos investimento do que deveria.
“A
utilização de foliares pode aumentar entre 10% e 15% a taxa de lotação das
áreas de pastagem, melhorando a produtividade sem a necessidade de expansão de
área”, afirmou. De acordo com o especialista, a tecnologia atua diretamente na
recuperação e no crescimento do capim, especialmente durante o período das
chuvas, acelerando a rebrota e aumentando a qualidade nutricional da forragem.
Conhecimento
e conexão no setor
Voltado
a produtores, estudantes e técnicos, o simpósio reforça o papel da Expo
Londrina como um ambiente estratégico para atualização profissional e
disseminação de tecnologias no campo. Para os organizadores, a proposta vai
além das palestras: criar um espaço de encontro entre diferentes agentes da
cadeia produtiva.
“É
um momento para conversar, trocar experiências e trazer para Londrina
profissionais que muitas vezes não conseguimos reunir ao longo do ano”,
finalizou Francisco.
Segurança alimentar em pauta
A
zootecnista Letícia Maria de Castro, especialista em desenvolvimento de mercado
na Mosaic, destacou durante sua apresentação a importância de avaliar a
qualidade das matérias-primas antes da formulação das dietas na pecuária.
Segundo ela, a escolha adequada nesse momento é decisiva para o desempenho
produtivo, já que, após a aquisição, torna-se mais difícil corrigir falhas que
impactam diretamente nos resultados.
De
acordo com a especialista, uma boa matéria-prima deve reunir dois pilares:
qualidade e segurança. No caso do milho, por exemplo, é fundamental que ele
cumpra seu papel como principal fonte de energia na dieta. Grãos comprometidos,
como milho ardido, oco ou deteriorado, podem até compor a formulação, mas não
entregam o valor nutricional esperado, prejudicando ganhos de peso e produção
de leite.
Outro
ponto de atenção levantado foi a presença de contaminantes, que podem afetar
não apenas a saúde dos animais, mas também a segurança alimentar. Substâncias
indesejadas podem permanecer no leite e na carne, chegando ao consumidor final.
Por isso, a orientação é que o produtor invista em critérios rigorosos de
avaliação na hora da compra, garantindo não apenas eficiência produtiva, mas
também qualidade ao longo de toda a cadeia.
Fotografia: Roberto Custódio