Por Erika Zanon
A 7ª edição do Simpósio de
Equideocultura, realizado nesta segunda (13) foi um dos destaques da
programação técnica da ExpoLondrina, reunindo médicos veterinários,
zootecnistas, agrônomos, estudantes e profissionais do setor em busca de
atualização e aprofundamento em temas estratégicos da área. Promovido em
parceria entre a Sociedade Rural do Paraná (SRP) e a Universidade Estadual de
Londrina (UEL), o evento reforça o papel da feira como um ambiente de troca de
conhecimento e desenvolvimento para o agronegócio.
A programação incluiu palestras
com especialistas que abordaram desde biotecnologias reprodutivas até práticas
clínicas, esportivas e de manejo de equinos.
“A Sociedade Rural do Paraná tem
o compromisso de viabilizar eventos como este, trazendo conhecimento, novidades
e oportunizando a troca de experiências”, destacou Marcelo Janene El-Kadre,
presidente da SRP, durante sua fala na abertura do encontro.
À frente da organização do
simpósio, Roberta Garbelini Gomes Zanin reforçou que a iniciativa busca
aproximar o meio acadêmico e o mercado, criando oportunidades tanto para
profissionais quanto para estudantes que desejam se qualificar. “É um espaço de
atualização técnica e também de conexão com o que há de mais atual no setor”,
ressalta Roberta, que é Diretora de Fomento da SRP, reforçando que o simpósio é
uma oportunidade de apresentar informações sobre o setor para melhorar a
criação e a vida dos cavalos.
Entre os participantes,
estudantes de medicina veterinária aproveitaram a oportunidade para ampliar o
repertório e ter contato direto com especialistas. “É o segundo ano que
participo e eu gosto muito da diversidade e qualidade das palestras”, pontuou
Giovana Prado. A estudante de veterinária Carolina Sanches também concorda que
a variedade dos temas abordados é um diferencial, mas este ano um dos seus
principais interesses era a palestra que falava sobre ortopedia. “É uma área
que não vemos ser tão explorada em eventos, então foi muito interessante ter
esse tema aqui neste evento”.
Biotecnologias reprodutivas
Um dos palestrantes do simpósio,
o médico veterinário e professor da UEL Fábio Morotti, abordou o cenário da
equideocultura no Brasil e no mundo, com destaque para o avanço das
biotecnologias reprodutivas. Segundo ele, técnicas como a transferência de
embriões têm ampliado as possibilidades de melhoramento genético, inclusive
permitindo o aproveitamento de fêmeas que não poderiam mais gestar naturalmente,
seja por questões clínicas ou limitações físicas.
“O Brasil possui hoje cerca de 8
milhões de equídeos (cavalos, asininos, muares) e ocupa a terceira posição no
ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e do México no número de
cavalos. Em termos de uso de biotecnologias reprodutivas, já estamos
equiparados aos Estados Unidos”, comemorou.
De acordo com o especialista, o País
também se destaca pela qualidade da mão de obra técnica, com profissionais
reconhecidos internacionalmente e atuação crescente no exterior. “Hoje, o
Brasil não só utiliza essas tecnologias como também exporta conhecimento,
especialmente na área de reprodução animal”, afirma.
Apesar dos avanços, o setor ainda
enfrenta desafios importantes. Cerca de 75% da tropa brasileira é utilizada em
atividades de lida no campo, um segmento que ainda demanda maior acesso a
tecnologias, investimento em genética e melhorias no manejo.
Terapias integrativas ganham
espaço na equideocultura
As terapias integrativas têm
conquistado cada vez mais espaço no cuidado com equinos, especialmente como
complemento aos tratamentos convencionais. Durante o simpósio, o professor
Vitor Hugo dos Santos destacou que essas técnicas vêm sendo amplamente
utilizadas tanto na recuperação de animais quanto na prevenção de lesões.
Segundo ele, práticas como
acupuntura, terapia com células-tronco, fisioterapia, quiropraxia e
reabilitação estão entre as mais aplicadas atualmente, principalmente em
cavalos atletas e em animais em recuperação. “Elas não substituem o tratamento
convencional, mas atuam como importantes aliadas, ajudando a acelerar a
recuperação e melhorar a qualidade de vida dos animais”, explica.
Apesar do avanço no campo
prático, Vitor chama atenção para um desafio: a falta de aprofundamento sobre o
tema na formação acadêmica. “Muitas vezes, os proprietários já chegam com essa
demanda, mas nem sempre os profissionais tiveram contato com essas técnicas
durante a graduação”, aponta.
Nesse contexto, eventos como o
Simpósio de Equideocultura ganham ainda mais relevância. Para o professor,
iniciativas como essa são fundamentais para difundir conhecimento e aproximar
estudantes, profissionais e mercado. “Esses encontros são essenciais para levar
informação atualizada, instigar o interesse e complementar o que, muitas vezes,
não é abordado em sala de aula”, afirma.
Com quase 14 anos de experiência
na área, ele reforça que a troca de conhecimento fora do ambiente acadêmico
contribui diretamente para a evolução do setor e para a adoção de práticas mais
modernas e eficientes no cuidado com os equinos.
Fotografia: Henrique Campinha