XII Simpósio de Eficiência em Produção e Reprodução Animal mostrou como decisões estratégicas e tecnologias como IATF e produção de embriões impactam diretamente os resultados no campo
Por Mariana Guerin
O XII Simpósio de Eficiência em Produção e Reprodução Animal
lotou o Recinto Milton Alcover de produtores rurais, estudantes, técnicos e
especialistas nesta quinta-feira (16) para um dia inteiro de conteúdo voltado à
evolução da pecuária. Com o tema “Uma visão do presente para alcançar o
futuro”, o evento integrou a agenda técnica da ExpoLondrina 2026 e foi
organizado pela Sociedade Rural do Paraná (SRP) em parceria com a Universidade
Estadual de Londrina (UEL).
Na programação, os temas viajaram pelos avanços em biotecnologia
reprodutiva até transformações do mercado da carne bovina. Entre os destaques, atualizações
sobre Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), programas reprodutivos em fêmeas
jovens, estratégias para mitigação da perda gestacional no gado de corte e de
leite, atualizações e perspectivas nos programas de produção de embriões, escolha
do touro e nutrição em bovinos aplicada à reprodução.
Para o diretor de Pecuária e Melhoramento Genético da SPR e coordenador
do evento, Luigi Carrer Filho, o simpósio consolida o protagonismo do Paraná na
inovação agropecuária. “O Brasil já é referência mundial em reprodução bovina,
especialmente com o avanço da IATF, que tem promovido ganhos expressivos no
campo, como maior precocidade, redução do intervalo entre partos e padronização
do rebanho”, avaliou.
Durante a palestra de abertura, o médico veterinário Miguel
Abdalla, gerente de Produto Corte Taurino da Genex Brasil de São Carlos (SP), chamou
atenção para o cenário atual do mercado de carne bovina e a importância do
investimento contínuo em genética.
Segundo ele, fatores como exportação, câmbio e demanda global
influenciam diretamente a valorização do setor, mas a qualidade do animal segue
sendo determinante. “Mesmo em momentos de baixa, o animal geneticamente
superior é mais procurado. Já em momentos de alta, ele é ainda mais
valorizado.”
O especialista ressaltou que o Brasil ainda possui muito
espaço para evolução, com oportunidades claras de melhoria na qualidade do
rebanho e na produtividade por hectare. Ele apontou a padronização da carne,
aliada à rastreabilidade e às exigências de mercados internacionais, como um
caminho sem volta para o setor.
Ainda pela manhã, o Prof. Dr. Marcelo Marcondes Seneda, da
UEL, apresentou os atuais desafios na produção de embriões bovinos, com
destaque para as perdas gestacionais, um dos maiores entraves para o avanço da
eficiência reprodutiva.
Apesar da evolução das técnicas e da qualificação da mão de
obra, Seneda informou que as perdas ainda se concentram principalmente nos
primeiros 30 dias de gestação, fase mais crítica do processo. Estudos com mais
de 53 mil transferências indicaram uma média de 15% de perdas, resultado que pede
atenção.
“Entre os fatores determinantes estão a qualidade do embrião,
o material genético, o manejo nutricional, o estresse dos animais e a escolha
adequada de touros e laboratórios. A análise reforça que não há uma causa
única, mas sim um conjunto de variáveis que impactam diretamente os resultados,
exigindo cada vez mais precisão técnica, uso de dados e decisões estratégicas
dentro das propriedades”, resumiu o professor.
O evento teve ainda palestras técnicas com o médico
veterinário Fábio Morotti, professor da UEL e parceiro no planejamento do
simpósio, que debateu a escolha do reprodutor dentro dos sistemas produtivos, destacando
o papel decisivo que o touro exerce no desempenho do rebanho.
“Metade da genética vem da fêmea e metade do macho, mas o
touro tem a capacidade de multiplicar essa genética em larga escala ao se
reproduzir com inúmeras fêmeas. Por isso, a escolha correta, com base em dados
e tecnologia, é tão estratégica”, pontuou.
Morotti também enfatizou que investir em ferramentas de
seleção genética permite decisões mais assertivas e redução de custos, além de
acelerar os resultados dentro da propriedade. “Buscamos aprimorar as técnicas e
procedimentos para seleção de um bom reprodutor do ponto de vista genético e de
fertilidade. É um processo que exige planejamento, mas é mais assertivo. A
gente ganha tempo e poupa dinheiro, trazendo retorno direto em produtividade e
eficiência”, completou.
O professor do Departamento de Reprodução Animal da Faculdade
de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP) Pietro
Sampaio Baruselli, referência mundial em produtividade na pecuária, reforçou a
importância da aplicação prática das tecnologias no campo.
Segundo ele, o grande desafio da pecuária brasileira ainda
está na eficiência reprodutiva. “Precisamos fazer com que as matrizes produzam um
bezerro por ano e reduzir a idade da primeira concepção e do primeiro parto”,
assinalou Baruselli, indicando que já existem soluções disponíveis para
transformar esse cenário.
“O avanço passa por uma combinação de fatores como nutrição,
seleção genética, precocidade sexual, sanidade e manejo. Precisamos aumentar a
imunidade dos animais para que sejam mais resistentes e tenham menos perdas
gestacionais. É importante reduzirmos a idade da primeira concepção e o parto
para que a pecuária brasileira produza mais por hectare e seja mais competitiva
e sustentável”, propôs o especialista.
Outros especialistas contribuíram com análises técnicas e de mercado, como o Prof. Dr. Roberto Sartori Filho, do Departamento de Zootecnia da Esalq-USP, que apresentou estratégias para mitigação da perda gestacional no gado de corte e de leite, e o Prof. Dr. Denis Vinicius Bonato, do curso de Medicina Veterinária da Universidade Paranaense (Unipar) de Umuarama, que falou sobre nutrição em bovino aplicada à reprodução.