Érika
Zanon
A
qualidade da água que chega aos animais pode impactar diretamente a
produtividade na pecuária. Mas será que os produtores estão atentos a esse
fator no dia a dia? O tema foi destaque em um encontro sobre tecnologias para
intensificação da produção de bovinos, realizado durante a ExpoLondrina,
reunindo especialistas e estudantes da área.
A
doutoranda Gabriela de Oliveira Deritti abriu a programação chamando a atenção
para um ponto muitas vezes negligenciado no manejo: a limpeza e o monitoramento
da água nos cochos. Segundo ela, embora haja grande preocupação com alimentação
e genética, a água, que é essencial para o organismo animal, ainda é
subestimada. A pesquisadora apresentou o uso do pH como um indicador da
qualidade da água, destacando que, poucos dias após a limpeza, já é possível
observar alterações que indicam a necessidade de higienização.
De
acordo com Gabriela, o impacto da ausência de higienização nos cochos é o
comprometimento da sanidade do rebanho e dos produtos que chegam para o
consumidor. A especialista explicou que a presença de matéria orgânica, como
restos de alimentos e até fezes, contribui para a formação de biofilmes que
comprometem a qualidade da água e podem trazer prejuízos sanitários e
produtivos. “Se o animal não tem acesso a uma água de qualidade, isso vai
refletir diretamente no produto final, seja carne ou leite”, pontuou Gabriela.
Na
sequência da programação, o médico veterinário Sérgio Félix abordou a
rentabilidade na pecuária aliada à intensificação da produção e ao uso de biotecnologias.
Ele destacou que, diante do aumento dos custos e da valorização das terras, é
fundamental produzir mais na mesma área. Entre as estratégias apresentadas está
a inseminação artificial em tempo fixo (IATF), que permite melhorar o
desempenho reprodutivo do rebanho.
Segundo
o especialista, a adoção de biotecnologias possibilita que vacas produzam um
bezerro a cada 12 meses, com ganho genético e sem comprometer o bem-estar
animal. “A intensificação é um caminho necessário para aumentar a eficiência
produtiva e garantir melhores resultados ao produtor”, afirmou.
O
encontro foi organizado pelo programa de mestrado e doutorado em Saúde e
Produção Animal da Unopar e reuniu alunos de medicina veterinária, agronomia e
zootecnia. A coordenadora, professora Fabíola Greco, destacou a importância de
levar conhecimento técnico e prático aos futuros profissionais e produtores. “A
proposta é mostrar como a tecnologia pode ser aplicada no campo, auxiliando na
tomada de decisões e contribuindo para uma produção mais eficiente”, ressaltou.
Fotografia: Roberto Custodio