Por Mariana Guerin
A nutrição animal tem papel decisivo no desempenho produtivo,
especialmente quando se trata de animais com alto potencial genético. O tema
foi destaque na palestra "Como a nutrição animal pode acelerar o
desempenho de animais de alto potencial genético", realizada pelo
médico-veterinário Ton Kramer na manhã desta segunda-feira (13), na Casa do
Criador, dentro da programação técnica da ExpoLondrina.
Segundo o especialista, o avanço do melhoramento genético
elevou significativamente o potencial produtivo dos animais, mas aumentou sua
exigência nutricional e sensibilidade a fatores externos. “A nutrição é o que
permite que o animal expresse todo o seu potencial genético. Sem isso, parte
desse investimento simplesmente se perde”, afirmou.
Nutrição como estratégia
A palestra contemplou bovinos de corte, gado leiteiro, suínos
e aves, reforçando que, apesar das diferenças entre os sistemas produtivos, o
princípio é o mesmo: alinhar nutrição e genética para maximizar resultados.
Segundo Ton Kramer, nesse contexto, a nutrição deixa de ser
vista apenas como custo e passa a ser tratada como ferramenta estratégica. “Isso
porque representa cerca de 80% do custo de produção e é determinante para
transformar potencial genético em desempenho real.”
Além disso, Kramer destacou que muitos animais não atingem
seu máximo desempenho por falhas no manejo nutricional e pelas condições do
ambiente. Fatores como clima, sanidade e qualidade dos insumos podem desviar
nutrientes que deveriam ser usados na produção de proteína mas que acabam sendo
consumidos pelo animal apenas para a manutenção da sua sobrevivência.
“Se nós não ajustarmos a forma de trabalhar a nutrição, não
conseguiremos explorar todo o potencial dos animais. E isso tem impacto direto
no resultado econômico da atividade”, reforçou o especialista.
Da nutrição básica à
nutrição de precisão
A palestra também trouxe uma reflexão sobre a evolução da
nutrição animal, que vem migrando de um modelo mais básico para uma abordagem
de alta tecnologia, baseada em nutrição de precisão e nutrigenômica.
Esse conceito envolve o uso estratégico de ingredientes, aditivos
e compostos específicos, como aminoácidos, doadores de metila e fitomoléculas,
capazes de modular a expressão gênica dos animais. “Na prática, isso significa
direcionar o metabolismo para maior deposição de carne, melhor eficiência
alimentar e maior resistência ao estresse, especialmente o térmico”, explicou
Kramer.
Essa “blindagem nutricional”, como definiu o especialista,
ajuda a proteger o organismo contra inflamações e gastos energéticos
desnecessários, garantindo que os nutrientes sejam convertidos em
produtividade.
Saúde intestinal
Um dos pontos centrais da palestra foi a importância da saúde
intestinal do animal, lembrando que o equilíbrio da microbiota intestinal é
considerado hoje um dos principais pilares da produção eficiente.
Problemas sanitários, estresse e variações ambientais podem
comprometer a absorção de nutrientes e reduzir o desempenho. Por isso, o uso de
ferramentas como probióticos, moduladores metabólicos e aditivos nutricionais
ganha cada vez mais relevância. “A saúde intestinal define o quanto o animal
consegue transformar alimento em resultado. Sem isso, todo o resto perde
eficiência”, ressaltou Kramer.
Impacto direto na
rentabilidade
De acordo com ele, a magnitude da produção brasileira reforça
o impacto dessas decisões. “Na avicultura, por exemplo, cerca de 25 milhões de
frangos são abatidos diariamente no país, o que faz com que pequenas variações
no custo nutricional gerem grandes impactos financeiros.”
Na pecuária de corte e leite, embora a escala seja diferente,
chegando a 20 milhões de animais confinados este ano, o princípio é o mesmo. “Decisões
nutricionais bem ajustadas resultam em maior produtividade, melhor desempenho
reprodutivo e maior retorno econômico”, completou Ton Kramer.
Para alcançar esses resultados, o especialista reforçou a importância de acompanhamento técnico constante. Nutricionistas e consultores precisam estar atentos às variações de mercado, clima e disponibilidade de insumos, tomando decisões rápidas e estratégicas. “Quem consegue ajustar a nutrição de forma inteligente e no tempo certo aproveita melhor o potencial genético e garante maior eficiência produtiva”, afirmou.