Por Mariana Guerin
A força da genética bovina dos Estados Unidos tem
desempenhado um papel decisivo na evolução da pecuária global e o Brasil é um
dos principais beneficiados desse avanço. O tema foi destaque em palestra
realizada na Casa do Criador nesta segunda-feira (13), como parte da agenda
técnica da ExpoLondrina 2026 .
Com o tema “Genética dos EUA: impulsionando a produtividade
na pecuária”, o médico veterinário Felipe Escobar, diretor comercial da Select
Sires, empresa dedicada ao
melhoramento genético de bovinos de produção, apresentou como o melhoramento genético americano tem
impactado diretamente os resultados no campo, incluindo no Paraná.
Segundo o especialista, mais de 50% da genética bovina
utilizada no mundo, por meio da inseminação artificial tem origem nos Estados
Unidos. No Brasil, esse protagonismo é ainda mais evidente, especialmente em
raças estratégicas para a produção de leite e carne.
Na pecuária leiteira, a presença da genética americana é
dominante. Na raça holandesa, cerca de 75% do material genético utilizado nas
vacas brasileiras tem origem nos EUA. Já na pecuária de corte, entre 50% e 60%
das doses de sêmen da raça Angus utilizadas no país também são provenientes
dessa genética norte-americana, número que pode chegar a até 90% quando
consideradas gerações anteriores.
Confiabilidade de dados
impulsiona o melhoramento
Um dos principais diferenciais da genética americana, segundo
Escobar, está na confiabilidade das informações. Os Estados Unidos possuem um
dos maiores bancos de dados do mundo em melhoramento genético, resultado de uma
cultura consolidada de coleta e análise de dados nas fazendas.
“Existe uma obsessão por números. Eles monitoram tudo para
entender o que realmente traz lucro ao produtor. Isso gera uma base
extremamente confiável, que se reflete diretamente nos resultados no campo”,
explicou.
Essa robustez, segundo ele, permite identificar
características que impactam diretamente a produtividade e a rentabilidade,
tornando o processo de seleção genética mais preciso e eficiente.
Impactos diretos para o
produtor brasileiro
Os ganhos obtidos com o uso da genética dos EUA são
percebidos tanto na produção brasileira de leite quanto na de carne e no Paraná
esse impacto também é expressivo, especialmente na pecuária leiteira.
No Estado, estima-se que cerca de 80% da genética utilizada
na raça holandesa seja de origem norte-americana, refletindo diretamente na
qualidade e na eficiência dos rebanhos leiteiros paranaenses.
De acordo com Felipe Escobar, no segmento leiteiro, os
avanços incluem o aumento do potencial produtivo das vacas, maior longevidade
dos animais, melhora nos índices reprodutivos e mais resistência e saúde do
rebanho.
Já na pecuária de corte, o especialista citou que os
resultados começaram a aparecer principalmente nos últimos anos, com a
intensificação do uso da raça Angus em cruzamentos. “No Paraná e no Brasil, a
participação da genética americana varia conforme o mercado, podendo
representar entre 20% e 25% das doses utilizadas em determinados cenários”,
estimou.
Conforme Escobar, entre os benefícios da genética
norte-americana para o gado de corte estão o incremento no peso e rendimento de
carcaça, a redução da idade ao primeiro parto e maior eficiência produtiva. “Esses
fatores contribuem para uma pecuária mais competitiva e rentável, alinhada às
demandas de mercado”, opinou o especialista.
Investimento acessível
e de longo prazo
Apesar de muitos produtores ainda enxergarem a genética como
um custo elevado, Escobar reforçou que se trata de um dos investimentos mais
estratégicos da fazenda. “A genética é o único investimento que é permanente.
Diferente da nutrição ou da adubação, que se esgotam, o ganho genético se
perpetua por gerações”, afirmou.
De acordo com ele, o custo com genética representa, em média,
entre 1% e 1,5% do custo total de produção. Por isso, é acessível tanto para
pequenos quanto para grandes produtores. “A inseminação artificial, principal
ferramenta de disseminação genética, pode ser adaptada a diferentes escalas de
produção”, sugeriu Escobar.
Entre as raças de maior destaque para o melhoramento genético
realizado com materiais norte-americanos, duas se consolidam como protagonistas
no cenário brasileiro: Angus e Holandesa.
“Angus, na pecuária de corte, representa cerca de 90% das
doses importadas e Holandesa, na pecuária leiteira, conta com mais de 95% do
material genético vindo dos Estados Unidos. Essa predominância reforça a
influência direta da genética norte-americana na base produtiva nacional e
regional”, apontou Felipe Escobar.
De acordo com ele, a presença da genética dos EUA no Brasil é
resultado de décadas de pesquisa, seleção e intercâmbio tecnológico. “Mais do
que aumentar índices produtivos, o uso estratégico da genética contribui para
uma pecuária mais eficiente, sustentável e preparada para os desafios do
futuro, realidade já vivida por produtores do Paraná, que vêm colhendo os resultados
desse avanço no campo”, finalizou o especialista.
Amy Caldwell, diretora do Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos (USDA) no consulado brasileiro, comentou que a cooperação entre
EUA e Brasil no setor agropecuário tem sido fundamental para promover
parcerias, troca de conhecimento e conexão entre produtores e líderes do setor.
“Em conjunto com entidades como a National Association of
Animal Breeders (Associação Nacional dos Criadores de Animais, em livre
tradução), trabalhamos para impulsionar o uso da genética animal, especialmente
em bovinos de leite e corte, contribuindo para avanços em produtividade,
bem-estar animal e desenvolvimento da cadeia produtiva e sabemos que ainda há
espaço para expansão dessas tecnologias no Paraná”, declarou.
Fotografia: Larissa Timoteo