Por Lucas Araújo
A produção de peixes de água doce como a tilápia é uma boa
opção para o produtor rural paranaense que deseja diversificar a produção. Quando
se junta a criação de peixes com o cultivo de plantas, tem-se a aquaponia. A
atividade é destaque na Fazendinha da ExpoLondrina 2026, onde o Instituto de
Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) apresenta diversas tecnologias.
A zootecnista e extensionista do IDR-Paraná Rosilene
Gonçalves explica que o Paraná é o maior produtor de tilápia do Brasil. Em 2025
foram produzidas 273 mil toneladas do peixe, o que corresponde a
aproximadamente 37% dos números nacionais. De acordo com Gonçalves, a maior parte
dos produtores paranaense está concentrada na região oeste, mas o norte do
Paraná vem aumentando a participação.
O sucesso da produção, conforme a extensionista, é fruto da
rusticidade e resistência da tilápia. “É uma espécie que consegue um bom desenvolvimento
mesmo em condições adversas, como durante os dias frios”, salienta. Em razão
dessas vantagens, o IDR-Paraná recomenda a produção do peixe para todos os
tipos de produtores. “É preciso alguns pré-requisitos do produtor como:
disponibilidade de água, bom sistema de energia e boas estradas de acesso”,
enumera a zootecnista. Também é indispensável providenciar as licenças
ambientais, as quais dizem respeito à outorga da água e ao licenciamento da
atividade.
Um bom sistema de energia é o ponto mais importante a ser
observado. De acordo com Gonçalves, tudo depende de eletricidade para o
funcionamento dos motores dos tanques. Na Fazendinha da ExpoLondrina 2026 foi
criado um sistema muito promissor: a aquaponia, um sistema sustentável que
integra a criação de peixes com o cultivo de plantas, formando um ciclo natural
no qual os resíduos dos peixes se transformam em nutrientes para as plantas.
O espaço tem um tanque para 20 kg de peixe e 4 m2
de bancada para produção de hortaliças. “A água de uma certa forma limpa os
resíduos que saem do tanque e vão para a bancada onde estão as hortaliças, que
usam os nutrientes da água para crescer”.
De acordo com Gonçalves, a atividade é indicada tanto para
autoconsumo, como também para produção comercial, dependendo do espaço, das
condições do produtor para investir, e da mão de obra disponível. “Um
funcionário dá conta do trabalho, mas se o produtor não tiver condições de
contratar um funcionário ele precisa assumir as tarefas”, diz. A extensionista
também lembra que existem sistemas automatizados que controlam o manejo da
aquaponia. Porém, em razão do custo elevado, pequenos produtores terão
dificuldades para adquirir e manter as máquinas.
Fotografia Gabriel Vinci