Por Vitor Ogawa
A 64ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina
(ExpoLondrina 2026) consolidou seu papel como o principal termômetro da
inovação aplicada ao campo, mas com uma tônica diferente: a acessibilidade. Ao
percorrer o Pavilhão Smart Agro, a diretora da Sociedade Rural do Paraná (SRP),
Tatiana Fiuza, destacou que a tecnologia deixou de ser privilégio de poucos.
“Temos desde um rover elétrico que pode ser alugado por safra até aplicativos
gratuitos do IDR-Paraná e nanotecnologia a R$ 60 por hectare. Isso é inovação
de verdade, ou seja, aquela que cabe no bolso e resolve o problema”, afirmou.
No estande do IDR-Paraná, a assessora Lígia Deise Rodrigues Ferraz apresentou o lançamento do aplicativo GID Pragas do Feijão, voltado ao manejo integrado de pragas para reduzir perdas e o uso de defensivos. A ferramenta é gratuita e se soma a outras já consolidadas, como a Cigarrinha Web (monitoramento de pragas do milho) e o Climatlas (dados de temperatura e estiagem). O instituto também exibiu um leitor de esporos por inteligência artificial para a ferrugem da soja, ainda em desenvolvimento, e lançou o livro “Plantas Oleaginosas para o Biodiesel no Paraná”. “Hoje todo produtor tem um celular. Ele tem informação na palma da mão para tomar melhor decisão”, disse Lígia. Tatiana complementou: “São ferramentas gratuitas. Isso é serviço público de qualidade. ”
A nanotecnologia também marcou presença com a QBN Tecnologia. O fundador, Edilson Fernandes Lopes, apresentou produtos trazidos da Coreia do Sul que atuam em escala nanométrica. O Mirac, uma molécula foto reativa que simula a fotossíntese mesmo à noite, custa R$ 60 por hectare (dose de 100 ml). Já o Revoluc, nano ativador e carreador de agroquímicos, sai por R$ 50/ha. Para pequenos produtores, o custo por costal de 20 litros é de apenas R$ 6. “O produtor não está preocupado só com produtividade, mas com déficit hídrico e com a perda de eficiência dos defensivos. Nossos produtos ajudam a resolver esses problemas”, explicou Edilson, citando casos de pepino e tomate em estufa com aumento de até 100% na produção. Tatiana resumiu: “R$ 60 por hectare para ativar a fotossíntese da lavoura? Isso é acessível para qualquer tamanho de propriedade. ”
Na área de máquinas, a Hural apresentou o rover elétrico autônomo de pulverização. Com tração 4x4, barra de 9 metros e 200 litros de capacidade, o equipamento pesa apenas 700 quilos – contra mais de 10 toneladas de um auto propelido tradicional. A navegação é por GPS RTK com comunicação 5G e Starlink. A autonomia é de 4 horas, com troca de bateria em dois minutos. O preço de compra é R$ 450 mil (com FINAME), mas a novidade é a locação mensal por R$ 29 mil, incluindo assistência e treinamento. “É o modelo ‘as a service’ chegando ao campo. O produtor não tem surpresa com quebra ou falta de peça”, avaliou Tatiana.
A gestão financeira da propriedade foi abordada pela FarmLink, startup de Lucas Barone Gasparini Mugnaini (ex-John Deere e Cocamar) com outros sócios. A plataforma monitora despesas, cruza com tendências de mercado e emite alertas – como o melhor momento para comprar adubo ou travar a venda da safra. O diferencial é o acompanhamento quase diário e a garantia de retorno mínimo de 200% sobre a assinatura (a partir de R$ 800/mês). “Se empatar, não serve. Tem que sobrar dinheiro no bolso”, disse Lucas. Tatiana comentou: “O produtor investe em semente e máquinas, mas se não controla o dinheiro, todo o esforço pode ir pelo ralo. ”
A Zyron Robôs trouxe soluções robóticas de serviço. O robô roçadeiro híbrido opera por controle remoto, com produtividade de 1.500 m²/hora, consome 1,5 litro de gasolina por hora e sobe taludes de até 45 graus. Já o cão robótico de vigilância tem câmera Full HD, sensores de proximidade, alcance de 300 metros e aceita acoplamento de LiDAR e reconhecimento facial. “É uma ferramenta versátil e brasileira”, avaliou Tatiana. A Spectro, com o produto Palma Flex, oferece telemetria para poços, solo e qualidade da água, sem cobrança de mensalidade. Os sensores se comunicam por rádio com frequência própria, sem necessidade de internet no campo. “Monitorar poços e evitar queima de bomba é economia imediata”, destacou a diretora.
Por fim, o Instituto Federal do Paraná – Campus Londrina, apresentou foguetes didáticos construídos com garrafas pet, propelidos por água e ar comprimido. O professor Leonardo Carmezini Marques explicou que a iniciativa visa formar futuros engenheiros aeroespaciais. “O Brasil precisa de autonomia para lançar satélites de monitoramento climático e agrícola. Um foguete didático é a semente”, disse. Tatiana concluiu: “Aqui vemos o futuro de longo prazo. ”
Ao final da visita, Tatiana Fiuza fez um balanço: “A 64ª
ExpoLondrina prova que o agro paranaense é o mais conectado e criativo. Temos
desde um rover elétrico alugável até aplicativos gratuitos e nanotecnologia
acessível. O futuro não é mais promessa, ele está acontecendo agora, neste
parque. Meu recado ao produtor: venha conhecer, venha testar, porque quem ficar
para trás não será por falta de ferramenta, mas por falta de coragem de mudar.
”