Por Vitor Ogawa
A 64ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (ExpoLondrina 2026) vai muito além da comercialização de máquinas e da exposição de animais. Com mais de 85 eventos técnicos (seminários, simpósios, palestras e mesas-redondas), a feira afirma-se como a principal plataforma de disseminação de conhecimento técnico e de construção de novas informações para o produtor rural brasileiro.
“A ExpoLondrina é caracterizada há muitos anos justamente
por ter os eventos técnicos como prioridade. Nós acreditamos que, sem essa
disseminação, fica muito mais difícil para o produtor saber o que está
acontecendo”, afirma Luigi Carrer Filho, diretor de pecuária e melhoramento
genético da Sociedade Rural do Paraná (SRP). “Temos o evento do café há 35
anos. Imagine nesse tempo todo o tanto de tecnologia nova que chegou ao
produtor. E o simpósio de reprodução animal já está no décimo segundo ano.”
Conhecimento que gera
resultado: da fazendinha ao mercado internacional
O IDR-Paraná, presente há mais de 30 anos na ExpoLondrina,
oferece unidades didáticas que simulam situações reais do campo: manejo
sustentável do solo e da água, cafeicultura com foco em qualidade de bebida,
aquicultura com tilápia, entre outras. “É um espaço de diálogo. Não só
difundimos tecnologia, mas também captamos as demandas dos produtores para
retroalimentar nossa pesquisa”, explica Renan Ribeiro Barzan, gerente regional do
IDR-PR.
No Pavilhão Smart Agro, coordenado por Tatiana Fiuza,
Diretora de Inovação da SRP, reúne 37 eventos técnicos em áreas como grãos,
ovinocultura, avicultura e turismo tecnológico. “O produtor vai vivenciar o que
uma empresa de tecnologia está fazendo, o que a pesquisa está produzindo. Temos
lançamento de novos produtos biotecnológicos e softwares, além de soluções em
inteligência artificial e blockchain”, diz Tatiana.
Intercâmbio
internacional e adaptação ao mercado global
A ExpoLondrina também é ponto de encontro de delegações estrangeiras. “Acabei de sair de um evento com o consulado americano sobre genética e nutrição, mostrando como acessar essas tecnologias”, conta Luigi Carrer. “O Brasil é protagonista mundial no agro. Somos os maiores produtores e exportadores de carne de qualidade. Esse intercâmbio com novos países ajuda a importar tecnologia e a exportar nosso conhecimento.”
Exemplo disso é o fato de o Brasil ser o país que mais faz inseminação
artificial no mundo. “Temos 80 milhões de vacas que podem ser inseminadas; das
quais 20 milhões receberam o procedimento. O tamanho do mercado é imenso.”
Luigi destaca ainda que empresas globais desenvolvem tecnologias específicas
para o Brasil, dadas as condições de clima e solo encontrados por aqui. E, com
o novo acordo Mercosul-União Europeia, a disseminação de conhecimento sobre
sanidade e rastreabilidade torna-se ainda mais estratégica. “Barreiras
comerciais muitas vezes são camufladas por barreiras sanitárias. Para acessar
novos mercados, precisamos cuidar da sanidade e da rastreabilidade. Isso nos
leva a produzir com excelência.”
Do robô à genética de
ponta: o futuro já está no pavilhão
A inovação tecnológica está em cada canto da feira. “No Pavilhão Smart Agro, temos um pulverizador elétrico, drones para pulverização, genotipagem de animais de salto e até um cão robótico usado como sistema de segurança”, enumera Tatiana Fiuza. “Nosso desafio é que este pavilhão seja o futuro da agricultura. O futuro já está aqui.”
A programação técnica atende a todos os setores: café, leite,
carne, soja, horticultura, bicho-da-seda, equideocultura e buiatria
(especialidade da medicina veterinária focada na saúde, manejo, produção e
tratamento de doenças em ruminantes). “Se um produtor chegar às 8h e ficar até
as 18h, vai conseguir acessar o que é importante para a sua atividade”, garante
Luigi Carrer.
Sucessão familiar,
capacitação de mão de obra e prêmios internacionais
Dois temas transversais em 2026 são a sucessão familiar e a qualificação da mão de obra. “A sucessão no campo, para ser bem-feita, passa pela capacitação e valorização do trabalhador rural. Não basta ter tecnologia se a equipe não souber dar os primeiros socorros a um animal doente”, alerta Luigi Carrer. “A informação é em tempo real, mas é preciso gente capacitada para agir.”
Neste ano, a ExpoLondrina recebe a pesquisadora Mariangela
Hungria (Embrapa Soja), ganhadora do Prêmio Nobel da Agricultura da FAO. Além
disso, no Simpósio de Reprodução Animal (dia 16/04), estarão presentes dois dos
maiores pesquisadores de reprodução bovina do mundo: Professor Pietro Baruselli
e Professor Roberto Sartori, em parceria com a Universidade Estadual de
Londrina (professores Marcelo Senebra e Fábio Morotti). “Considero este um dos
maiores e melhores eventos de reprodução do Brasil”, afirma Luigi.