Por Lucas Araújo
Você que não dispensa um café e produtores rurais que
cultivam o grão têm uma ótima opção na Fazendinha da ExpoLondrina 2026. O
espaço criado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná)
traz informação, produtos diferenciados e conhecimento que podem ser muito
úteis no dia a dia.
O Espaço foi pensado de maneira que o visitante tenha uma
noção bem abrangente de como produzir um bom café e ainda escolha um produto de
boa qualidade no supermercado. Para isso, foram criadas seis estações. Todas
elas envolvem o público e o fazem compreender melhor tudo o que é preciso para
saborear ou produzir um bom café.
A primeira estação traz as variedades de café desenvolvidas
pelo IDR-Paraná. “Essas cultivares têm o foco no melhoramento genético pensando
na resistência a pragas e doenças. Nós buscamos sempre a preservação do meio
ambiente, a redução do uso de agrotóxicos e a diminuição do custo de produção
do agricultor”, salienta a pesquisadora do IDR-Paraná Patrícia Santoro. “Elas
são altamente produtivas, adaptadas ao clima e solo paranaenses e ainda
dirigidas à qualidade de bebida”, reforça a pesquisadora.
A segunda estação engloba os aromas do café. “Os aromas do
café são influenciados por diversas características, dentre elas a cultivar
utilizada, a região produtora e os métodos de processamento” destaca Santoro.
Para o consumidor de café testar sua sensibilidade aos diferentes aromas, foi
criada uma estação demonstrativa, na qual é feito uma espécie de teste cego. O
consumidor sente um determinado aroma e tenta identificar do que ele é.
A Reportagem Oficial
da ExpoLondrina fez o teste. Apesar de apreciar um bom café, erramos em
alguns aromas. “Quando a gente está provando o café, a gente pensa: eu conheço
esse cheiro, mas acaba errando ao tentar identificar. São mais de 800 moléculas
químicas que podem dar origem aos aromas, como frutas vermelhas, cítrico,
floral”, explica Santoro. O consumidor que adquire a habilidade de identificar
aromas diferenciados tem a possibilidade de escolher melhor a bebida que
consome. “O consumidor pode procurar diferentes origens de café. Cada região,
cada agricultor produz um produto diferente. São notas distintas. Um é mais
frutado, outro é mais caramelizado. É o mesmo que acontece com os vinhos”, diz.
“Quando você começa a tomar coisa boa, é difícil você tomar
algo ruim (risos). Os cafés especiais têm açucares, acidez, não têm amargor,
não têm gosto ruim. Você levanta de manhã e seu organismo não quer mais aquele
gosto ruim. Tudo o que é bom a gente acostuma muito fácil!”, brinca a
pesquisadora. Ela ressalta, entretanto,
que só é possível identificar certas características quando o consumidor toma
um café especial. “Dentro do mercado existem marcas que usam certas palavras
inadequadas nos rótulos. Uma delas é café premium, o que não existe”, alerta a
pesquisadora do IDR.
Na terceira estação, juntam-se aromas e gostos. “Há uma
diferença entre gosto e sabor. Gostos são: doce, salgado, amargo, azedo e umami.
Às vezes a gente fala: senti um sabor amargo. Na verdade, é um gosto amargo.
Sabor é a junção de gosto e aroma. A gente prova o café e sente um gosto amargo
e um aroma frutado, por exemplo”, ensina Santoro.
Na quarta estação há os sabores do café a partir da união dos
aromas com os gostos básicos. “Os sabores também dependem das condições de
clima e solo onde o grão é produzido, das cultivares escolhidas, do manejo do
produtor. A composição química desse grão vai influenciar nos sabores”, pontua
a pesquisadora. O sabor depende muito do clima e local onde o café é cultivado,
o que interfere diretamente na temperatura. Com as mudanças climáticas, está
ocorrendo uma mudança nas principais regiões produtoras do Brasil com um
deslocamento das regiões de montanha para áreas situadas mais ao sul do Brasil.
“A gente sempre ouviu falar do café de montanha de Minas ou do Espírito Santo.
Aqui no Paraná não temos café de altitude, mas nós temos latitude. Nestes locais
há menores temperaturas”, afirma a pesquisadora. Ainda de acordo com ela, o IDR
está realizando pesquisas com o cultivo do grão em regiões que tradicionalmente
estão fora do mapa do café, como Pato Branco, sudoeste do Paraná.
“A torra é considerada
uma ciência, de tão complexa que ela é”, diz Santoro. Na quinta estação os
técnicos do IDR mostram como a torra é um momento crítico. “Neste ponto o
produtor pode perder anos de trabalho”, alerta. “Para cada café, para cada
região vai ser definida uma temperatura pelo mestre de torra, profissional
altamente especializado que vai realizar esse trabalho”, acrescenta.
Ela ainda salienta que o café é uma fruta e como as demais
tem um teor de açúcar natural. “Os açúcares são ressaltados durante as
transformações químicas que ocorrem durante o processo de torra. Sacarose,
glicose, frutose passam por reações químicas e trazem a doçura do café. Se a
gente passa do ponto de torra, esses açucares queimam e aí a gente sente
amargo”, afirma. Segundo a pesquisadora, é o que ocorre com o café extraforte.
“É como se você tivesse queimado aquela calda de pudim”, diz a pesquisadora
fazendo uma analogia com a sobremesa. O ideal, lembra a pesquisadora, é torrar
o café no ponto marrom, quando os açucares são caramelizados.
A pesquisadora faz um alerta aos consumidores. “Café muito
torrado é uma forma de mascarar defeitos”. Santoro lembra que essa bebida
muitas vezes tem gosto de borracha, de medicamento e alto amargor. Para fugir
desses produtos de baixa qualidade, a recomendação da pesquisadora é buscar
produtos com torra mais fraca. “A gente pressupõe que são cafés de melhor
qualidade”. Da mesma maneira, ela também sugere que o consumidor não coloque
açúcar no café. “A gente quer reduzir o amargor do café de baixa qualidade
colocando açúcar, o que não resolve o problema”, afirma. Caso o consumidor não
possa comprar um café especial com qualidade superior, a pesquisadora recomenda
que ele procure um grão com torra mais baixa. “Se ele sair do extraforte para o
tradicional, ele já melhorou o padrão de consumo dele”, reforça.
Na sexta e última estação, a pesquisadora do IDR-Paraná
mostra como as diferentes regiões do Paraná produzem cafés com diferentes
características. “Na região de Mandaguari os grãos têm uma caraterística mais
frutada, com notas de cana, é um café mais delicado”, ensina. Hoje no Paraná
existem três indicações geográficas: Café do Norte Pioneiro, Serras de Apucarana
e Café de Mandaguari. Indicação geográfica é um selo oficial, emitido no Brasil
pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que reconhece
produtos ou serviços com características exclusivas, qualidade ou reputação
ligadas diretamente ao seu local de origem.
Fotografia: Gabriel Vinci