Por Luis Fernando Wiltemburg
O bem-estar animal é uma preocupação da organização da ExpoLondrina e começa mesmo antes deles chegarem ao Parque Ney Braga Eventos. Uma equipe de veterinários especializados em cada espécie permanece 24 horas por dia para garantir saúde, alimentação, ambiente, manejo e comportamento de qualidade.
De acordo com o diretor de Atividade Pecuária e Melhoramento Genético da SRP (Sociedade Rural do Paraná), Luigi Carrer Filho, os animais, para chegarem ao recinto, precisam de GTA (Guia de Trânsito Animal) que garante as vacinas e exames veterinários necessários para atestar uma boa saúde.
As exigências para cada espécie estão estipuladas no regulamento da feira e variam entre as raças e a idade”. Por exemplo: bezerras de três a oito meses precisam do atestado de vacinação de brucelose. Animais de doze a vinte e quatro meses, ou acima disso, precisam de exame de brucelose e de tuberculose. No caso de equinos, também existem exames específicos, como o de anemia infecciosa equina. Cordeiros e carneiros também têm exigências sanitárias. Nenhum animal entra sem toda essa parte ser checada”, garante Carrer.
A conferência é feita por uma equipe contratada para o evento e é supervisionada pela Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná). Este passo é crucial para garantir que não haja risco de proliferação de moléstias entre eles.
Já dentro do recinto, os animais são recebidos pela equipe técnica coordenada pelo médico veterinário César Vilela. “Se acontecer alguma intercorrência, como já aconteceu de fazer cesariana em vaca aqui, eles atendem. São três veterinários de plantão contínuo”, diz Carrer.
Há veterinários especializados para todas as espécies,
incluindo os pets. “O nosso trabalho visa ir além do que a legislação exige,
buscando maximizar o bem-estar dos animais no parque, considerando as
particularidades de cada espécie”, explica Vilela.
Pilares do bem-estar
O trabalho das equipes é calcado em cinco fatores que definem o bem-estar: sanidade, nutrição, ambiente, manejo e comportamento. “Como os animais não falam, analisamos o comportamento deles”, esclarece Vilela. Na edição da ExpoLondrina 2026, há participação de estudantes de veterinária e zootecnia fazendo auditorias de bem-estar em todas as espécies.
Dentro do aspecto nutricional, os profissionais avaliam o tipo de alimento, qualidade, quantidade, frequência e forma de oferta. No aspecto ambiental, são monitorados temperatura, som, qualidade do ar, conforto da cama e segurança das instalações. Estes fatores se inter-relacionam e impactam diretamente na saúde. “Um indicador importante de bem-estar é o número de casos clínicos atendidos. Se há muitos problemas, algo pode estar errado”, afirma Vilela.
O veterinário diz que os animais presentes na exposição são, em sua maioria, condicionados a esse ambiente e não se assustam fácil com movimentação ou presença humana. Já em relação ao som, existe a preparação dos animais e planejamento de espaço para reduzir impactos. O gado que fica no campo, por exemplo, permanece em local longe de onde há música e movimentação, elementos que não fazem parte do ambiente diário.
A temperatura também é controlada, com barracões altos e uso de ventiladores e climatizadores, especialmente para animais mais sensíveis ao calor, como o gado leiteiro.
No manejo, cada espécie exige técnicas específicas. Por ser muito dócil, os ovinos permitem ser manejado na guia ou no cabresto com facilidade. Já o gado que é leiloado, ou os touros que participam do rodeio, são animais mais reativos, que não permitem muita aproximação, exigindo bandeiras e raquetes. “Isso nós chamamos de manejo racional, buscando minimizar as reações, o estresse ali dentro daquele ambiente”, afirma.
O comportamento é essencial para avaliação do bem-estar. Alterações como medo, isolamento, lacrimejamento ou estereotipias indicam problemas. Exemplos incluem movimentos repetitivos em equinos ou lambedura excessiva em pets. “A equipe monitora tudo isso continuamente, com apoio de técnicos e estudantes. Esse trabalho também gera aprendizado prático para os alunos, algo difícil de obter apenas na universidade”, diz Vilela.
Outro ponto relacionado ao bem-estar foi o cuidado para evitar moscas dentro do recinto. Para isso, foi contratada uma empresa especializada para aplicação de produtos para afastar moscas em todos os barracões e nos cepilhos. “Pode perceber que, nos pavilhões, você não acha a mosca. Ela é um incômodo para quem está num restaurante, mas também para os animais, que ficam se batendo e é uma forma até de controlar doenças transmitidas por mosca”, diz Luigi Carrer.