Por Lucas Araújo
Produtores rurais, agrônomos, lideranças e até famílias
inteiras compareceram ao Encontro Estadual de Café nesta quarta (15) na
ExpoLondrina 2026. O evento marcou o encerramento da 23º Concurso Café
Qualidade Paraná e o lançamento da nova edição do Concurso, que tem o objetivo
de eleger, promover e divulgar os melhores cafés especiais produzidos no
estado, valorizando a produção cafeeira paranaense e seus produtores.
Os cafeicultores que venceram a 23ª edição do Concurso Café
Qualidade Paraná presentearam os patrocinadores do evento com uma embalagem do
café edição especial.
A produtora Celina Aparecida Oliveira de Jesuítas, vencedora
na categoria regional, explica como deve ser o trabalho para obter um café
especial e de elevada qualidade. “É preciso colher o café no pé, selecionar os
grãos maduros, levar para o terreiro, usar o terreiro suspenso para classificar
o café, tirando os grãos verdes, depois deixa ele secar bem, tirar as casas, e
assim a gente retira todos os defeitos”, ensina. “Essa é a receita do sucesso”,
brinca a cafeicultora.
O extensionista do IDR-Paraná Otávio Oliveira de Luz realizou
palestra sobre agricultura regenerativa. Ele destacou a importância do manejo
adequado do solo para que o produtor rural obtenha bons resultados. “O solo é a
base de tudo. Se o produtor tiver um solo bem recuperado, permeável, que tenha
uma boa aeração, com um bom armazenamento de água, com um teor de matéria
orgânica adequado e plantas com sistema radicular denso, a diversidade de vida
será maior e quanto maior essa diversidade, de fungos, bactérias e afins, isso
vai refletir numa melhor saúde do cafeeiro”, asseverou o extensionista.
A produtora de café de Apucarana Flávia Guimarães Rosa venceu
a 23ª edição do Concurso Café Qualidade Paraná na categoria natural. Ela já
havia participado da edição anterior do Concurso e obtido a terceira colocação
na categoria natural. “Para subir da terceira para a primeira posição nós
tivemos que trabalhar muito. É muita dedicação e amor. Com carinho naquilo que
a gente faz, o resultado vem”, afirmou Flávia. “Além de se dedicar muito, é
preciso ter resiliência porque tem hora que a gente acha que não vai dar certo,
que o clima não está favorável, mas quando a gente vê no terreiro aquele café
bonito, aí a gratificação é muito grande”, ensina a cafeicultora.
O presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná
(IDR-Paraná), Natalino Avance de Souza, salientou que o Paraná deixou de ter
mais de um milhão de hectares de café, mas atualmente planta 25 mil hectares de
um produto de qualidade superior. “A gente não perde para ninguém. E isso
ocorre graças ao esforço conjunto de todas as entidades”, afirmou Souza. O
presidente ainda lançou o 24º Concurso Café Qualidade Paraná. “Vamos fazer isso
de novo em conjunto”, acrescentou.
O produtor rural João Lourenço de Souza de Santo Antônio da
Platina, que ficou em segundo lugar regional na categoria natural, também
esteve no evento. Para ele, o Concurso Café Qualidade Paraná é importante porque
abre portas para o cafeicultor. “O produtor colhe um produto bom, especial, que
tem um preço bem melhor”, diz. “Assim a gente fica mais animado para não sair
da roça”, brinca João Lourenço.
Fotografia: Gabriel Vinci