Por Laís Magalhães
O melhoramento genético de gado de corte foi amplamente debatido em um simpósio promovido pelo programa Embrapa Geneplus, nesta sexta-feira (17), na ExpoLondrina 2026. O evento reuniu produtores e especialistas para discutir estratégias de seleção e o uso de novas tecnologias, como a genômica, com foco central na busca pelo equilíbrio dos rebanhos.
Os palestrantes integram o programa, criado em 1996, fruto de uma parceria entre a Embrapa Gado de Corte e a Geneplus Consultoria. Para os especialistas, o momento atual da pecuária brasileira é de grandes oportunidades.
Equilíbrio
A palavra de ordem do encontro foi "equilíbrio". Segundo Gilberto Menezes, gestor do Embrapa Geneplus, o conceito não deve ser visto como algo estático. “É um equilíbrio dinâmico. Às vezes, é preciso dosar o avanço genético em uma característica para conseguir evoluir em outra, elevando gradualmente o nível geral do rebanho”, explica.
O
pesquisador alertou para o risco de focar apenas em índices isolados. “Vemos
animais ditos superiores que possuem muito peso ou carcaça, mas pecam na
reprodução ou na funcionalidade, como aprumos e linha de dorso. O melhoramento
produz a genética que vai para o campo; por isso, o animal precisa ser
funcional para trabalhar e produzir a nossa carne”, reforça Menezes.
Uma das discussões centrais foi a integração entre o olhar clínico do produtor e os dados concretos. Maury Dorta, supervisor das Raças Taurinas do Geneplus, explicou que o papel da seleção é identificar animais superiores à média para que essa produtividade seja transmitida às gerações futuras. “O criador colhe os resultados já na desmama da primeira safra com genética superior. O melhoramento olha tudo: peso, fertilidade e habilidade materna”, destaca.
O geneticista Ivan Carvalho Filho reforçou que a avaliação genômica não substitui os métodos tradicionais, mas soma precisão ao processo. “A genômica nos permite traduzir em números o que vemos no campo e, principalmente, identificar animais superiores muito mais cedo, logo ao nascimento, antes mesmo de apresentarem fenótipo (características visíveis)”, esclarece.
Mercado e Valorização
Para
Marcelo Vezozzo, diretor presidente da Araucária Produção Animal, empresa
londrinense, o investimento em genética reflete diretamente no bolso do pecuarista.
“Hoje trabalhamos com produtores sendo remunerados de 5% a 15% a mais pelo
produto que entregam. Tivemos um crescimento interno que é uma amostra de
qualidade para a exportação”, afirma.
Vezozzo
destaca que o Brasil vive um novo ciclo, impulsionado pela valorização do
bezerro e pela carne brasileira no exterior. “Fatores que não existiam no
passado hoje são realidade. Com o fim da febre aftosa no Brasil, novos mercados
se abrem. Exemplos disso são o Japão e a Coreia, que elevam a demanda pela nossa
carne”, finaliza o diretor.