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18/04/2026

Embrapa Geneplus debate o “equilíbrio” como chave para o melhoramento genético

Por Laís Magalhães

O melhoramento genético de gado de corte foi amplamente debatido em um simpósio promovido pelo programa Embrapa Geneplus, nesta sexta-feira (17), na ExpoLondrina 2026. O evento reuniu produtores e especialistas para discutir estratégias de seleção e o uso de novas tecnologias, como a genômica, com foco central na busca pelo equilíbrio dos rebanhos.

Os palestrantes integram o programa, criado em 1996, fruto de uma parceria entre a Embrapa Gado de Corte e a Geneplus Consultoria. Para os especialistas, o momento atual da pecuária brasileira é de grandes oportunidades.


Equilíbrio

A palavra de ordem do encontro foi "equilíbrio". Segundo Gilberto Menezes, gestor do Embrapa Geneplus, o conceito não deve ser visto como algo estático. “É um equilíbrio dinâmico. Às vezes, é preciso dosar o avanço genético em uma característica para conseguir evoluir em outra, elevando gradualmente o nível geral do rebanho”, explica.

O pesquisador alertou para o risco de focar apenas em índices isolados. “Vemos animais ditos superiores que possuem muito peso ou carcaça, mas pecam na reprodução ou na funcionalidade, como aprumos e linha de dorso. O melhoramento produz a genética que vai para o campo; por isso, o animal precisa ser funcional para trabalhar e produzir a nossa carne”, reforça Menezes.

Uma das discussões centrais foi a integração entre o olhar clínico do produtor e os dados concretos. Maury Dorta, supervisor das Raças Taurinas do Geneplus, explicou que o papel da seleção é identificar animais superiores à média para que essa produtividade seja transmitida às gerações futuras. “O criador colhe os resultados já na desmama da primeira safra com genética superior. O melhoramento olha tudo: peso, fertilidade e habilidade materna”, destaca.

O geneticista Ivan Carvalho Filho reforçou que a avaliação genômica não substitui os métodos tradicionais, mas soma precisão ao processo. “A genômica nos permite traduzir em números o que vemos no campo e, principalmente, identificar animais superiores muito mais cedo, logo ao nascimento, antes mesmo de apresentarem fenótipo (características visíveis)”, esclarece.

Mercado e Valorização

Para Marcelo Vezozzo, diretor presidente da Araucária Produção Animal, empresa londrinense, o investimento em genética reflete diretamente no bolso do pecuarista. “Hoje trabalhamos com produtores sendo remunerados de 5% a 15% a mais pelo produto que entregam. Tivemos um crescimento interno que é uma amostra de qualidade para a exportação”, afirma.

Vezozzo destaca que o Brasil vive um novo ciclo, impulsionado pela valorização do bezerro e pela carne brasileira no exterior. “Fatores que não existiam no passado hoje são realidade. Com o fim da febre aftosa no Brasil, novos mercados se abrem. Exemplos disso são o Japão e a Coreia, que elevam a demanda pela nossa carne”, finaliza o diretor.

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