Por Vitor Ogawa
A 64ª ExpoLondrina, que acontece até o dia 19 de abril no
Parque Ney Braga Eventos, consolidou-se como o principal palco para o
lançamento e a exposição das mais avançadas tecnologias para o agronegócio.
Entre as inovações, os drones agrícolas são, sem dúvida, um dos grandes
destaques. Modelos de alta capacidade, como o DJI Agras T100 e T70 e o XAG
P150, são capazes de pulverizar grandes áreas com precisão e eficiência. No
entanto, especialistas e autoridades reforçam um alerta crucial: a operação
legal e segura desses equipamentos depende do cumprimento rigoroso de um tripé
de exigências, que inclui plano de voo e autorização do Departamento de
Controle do Espaço Aéreo (DECEA).
Os riscos de operar sem a devida regularização são graves.
Voar um drone agrícola (acima de 250g) sem plano de voo e sem autorização do
DECEA pode levar à apreensão do equipamento, multas pesadas, e até mesmo a
responsabilização civil e criminal do operador em caso de acidentes. A
regularização, portanto, é o que permite operar com segurança jurídica e
técnica.
O estande da Comasa Agro, revenda da Master Jato, apresenta
os modelos T70 e T100 da DJI. O T70 possui tanque para 70 litros ou 70 quilos
para granulado. Já o T100, considerado o carro-chefe, tem capacidade para 100
litros e 100 quilos de dispersor de sólido. “A vantagem de comprar um drone com
a Comasa Agro é que você ganha um ano a mais de garantia, totalizando dois
anos, além de um ano de seguro já incluso nas negociações”, destaca Jorge
Amâncio, supervisor de vendas.
A Cocamar Cooperativa Agroindustrial também aposta na
tecnologia da DJI, exibindo o modelo T100 em seu estande. “Pensando em tamanho
de drone e tecnologia embarcada, ele é o mais completo que a gente pode
oferecer para os produtores”, afirma Tiago Gomes, coordenador de peças e implementos
agrícolas da Cocamar. O drone conta com um sistema de radar de última geração,
o LIDAR, que realiza mais de 300 mil pontos por segundo para garantir a
segurança e a precisão da operação.
Já a New Holland e a Case IH, marcas do grupo CNH, expõem o
modelo XAG P150. Com capacidade para 70 litros, o drone é distribuído pela
própria New Holland e se destaca pelo seu sistema de voo com duas baterias, que
oferece redundância e maior segurança. “Ele faz tanto a pulverização como a
dispersão de sólidos. A manutenção é toda através da New Holland, com estoque
completo de peças”, explica William Hideyuki Aoki Ikeda, representante da
marca. A Agricase, revenda da Case IH, também comercializa o XAG P150.
Plano de Voo é
Indispensável
A euforia com as novas tecnologias não pode ofuscar a
responsabilidade. Para a maioria das operações comerciais, especialmente com
drones de pulverização (multirotores), a lei brasileira é clara: é obrigatório
solicitar um plano de voo ao DECEA. A solicitação é feita por meio da plataforma
SARPAS (Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas), e o
procedimento é uma exigência legal e de segurança para garantir a integridade
do espaço aéreo e das pessoas em solo.
A operação irregular de drones agrícolas sujeita o operador
a punições severas. O equipamento pode ser apreendido e o operador multado em
valores que podem ultrapassar R$ 150 mil. Além disso, em caso de acidentes,
como colisão com redes elétricas ou aplicação indevida de defensivos (deriva),
o responsável pode responder nas esferas civil e criminal. A fiscalização
também pode paralisar a atividade imediatamente.
O plano de voo é essencial não apenas para evitar essas
sanções, mas para assegurar a segurança no espaço aéreo, prevenindo colisões
com outras aeronaves, e para garantir a qualidade da aplicação, assegurando que
o defensivo seja aplicado apenas na área correta e evitando danos ambientais.
No que diz respeito à documentação e habilitação, estar em
dia com a legislação envolve três etapas principais. A primeira é o registro e
licenciamento da aeronave. A ANAC exige que o drone (acima de 250g) seja
registrado no sistema SISANT, um cadastro gratuito e online. Desde 2023, para
drones agrícolas, houve uma simplificação: eles são equiparados à categoria
Classe 3 (até 25kg) independentemente do peso real, o que facilita o
licenciamento. Também é necessária a homologação do rádio e do drone pela
ANATEL para evitar interferências, e cada operação de voo deve ser autorizada
pelo DECEA por meio da plataforma SARPAS.
A segunda etapa é a habilitação do piloto e operador. Para
operar drones de pulverização, é obrigatório o Curso de Aplicação Aeroagrícola
Remota (CAAR), oferecido por instituições credenciadas pelo MAPA. O piloto
remoto também precisa da Licença de Piloto Remoto (PRE) e da Habilitação de RPA
Classe 3, obtidas junto à ANAC. Instituições como o ITARC, a UNIJUÍ e o SENAR
oferecem cursos de formação. Em Londrina, a Schroder Consultoria Agro realiza o
curso CAAR, com aulas práticas na Embrapa Soja.
A terceira etapa envolve os procedimentos operacionais. O
plano de voo deve ser elaborado e aprovado pelo DECEA antes de cada voo,
contendo informações como local, data, hora, altitude e área de operação. A
avaliação de risco operacional é obrigatória para voos não recreativos e deve
ser elaborada pelo operador. Por fim, empresas e produtores rurais que realizam
aplicação aérea precisam se registrar no Sistema Integrado de Produtos e
Estabelecimentos Agropecuários (SIPEAGRO) do MAPA.
Tiago Gomes, da Cocamar, afirmou que os cooperados que adquirirem
esse equipamento com a cooperativa têm direito a habilitar até dois pilotos. “Essa
habilitação não é um certificado, é como se fosse uma habilitação mesmo com o
número de série, que é válida em todo o território nacional. A gente dá o curso
teórico e a prática de operação, manutenção, ou seja, tudo que ele precisa para
operar legalmente.”
Sobre a questão burocrática, a Cocamar divulga um curso que
não é vinculado à cooperativa. “É o CAAR, que é exigido se o piloto for fazer
prestação de serviço, mas se ele for trabalhar ali dentro da própria área dele,
o que a gente oferece já fica tudo certo. ”
A máquina tem que ser inscrita na ANAC, por meio do SISANT. “Você faz lá no próprio site da DJI, e toda a
licença de voo que você fizer fica registrado e arquivado.
Leonardo Neys, instrutor da Agro Academy, relatou que sua empresa disponibiliza o pacote chamado Drone Legal. “A gente faz a regularização perante os órgãos federais que regulam e fiscalizam o drone de pulverização. O curso de piloto de drone agrícola completo é R$ 5 mil. E os registros aos órgãos é um caso a parte e aí varia de pacote para pacote, temos o pacote básico, intermediário e avançado. O básico sai por R$ 800 e o avançado pode chegar a R$ 3 mil.”
Fotografia: Manuella Tomaz