Por Luis Fernando Wiltemburgo
O governador Carlos Massa Ratinho
Junior (PSD) cortou a fita inaugural da ampliação do Museu da Sociedade Rural
do Paraná e do Aquário de Londrina no dia de abertura da 64ª Exposição
Agropecuária e Industrial de Londrina nesta sexta-feira (10). A ampliação dos
espaços chama a atenção de visitantes, que têm entre as novidades o novo tanque
gigante, com capacidade de 90 mil litros, e uma beneficiadora de café histórica
para a cidade.
O museu passou por um grande
processo de ampliação para receber mais maquinários, incluindo uma máquina de
beneficiamento de café que pertencia à exportadora Intercontinental, lotada em
Londrina. O maquinário pesado permaneceu no barracão da Avenida Leste Oeste,
onde foi instalada na época de ouro da cafeicultura, mas precisou ser retirada no
ano passado para a construção do Terminal Metropolitano.
“Se formos lembrar, a história do
Norte do Paraná começou com o café. Quando foi demolido o espaço no centro de
Londrina, a máquina foi retirada e o governo do Paraná a doou para nós. E
fizemos questão de colocar no museu, porque ela conta a história da nossa
região. O café, que foi o início de toda a nossa história, está representado
por essa beneficiadora, que é uma verdadeira raridade”, explica o diretor de Aquicultura
da Rural, Ricardo Neukirchner.
O início da visita ao museu se dá
a partir do aquário, logo após um espaço com exposição de fotos alusivas à
agricultura. Após passar pelos primeiros tanques de peixes nativos e de cultivo,
o visitante conhece animais da fauna regional, as bacias hidrográficas e a
piscicultura.
Em seguida, conhece o novo
tanque, que tem oito metros de comprimento e capacidade para 90 mil litros,
volume associado a armazenamento industrial de água. “É um aquário para peixes
grandes, temos espécies com 26 quilos, com 35 quilos. No total, nossos tanques
têm mais de 40 espécies”, diz o diretor de Aquicultura.
A reforma e ampliação do museu
triplicou o espaço expositivo para caber não apenas a beneficiadora, mas para
aumentar a quantidade de equipamentos históricos. De acordo com Neukirchner, há
objetos bastante raros, como o primeiro modelo de trator traçado do mundo e a
primeira trilhadeira feita no Brasil. “A trilhadeira, na verdade, era um
protótipo das colheitadeiras atuais, gigantes. E essas máquinas históricas
divulgam o trabalho dos pioneiros que fizeram a história da agricultura no
Paraná e um pouco da história do que é a Sociedade Rural do Paraná”, afirma.
O
Aquário de Londrina e o Museu Sociedade Rural do Paraná estarão abertos o
ano inteiro para visitação, principalmente de escolas, na sede do Ney Braga
Eventos, com entrada gratuita. Monitores vão guiar os passeios, direcionando
para a educação ambiental, a história dos pioneiros e a agricultura, para
aproximar o campo da cidade.
Surpresa e nostalgia
O pequeno Leonardo Ribeiro da
Silva, de 3 anos, gostou do balé dos peixes no aquário, mas ficou um pouco apreensivo
ao se deparar com um felino taxidermizado. Ele visitou o aquário e o museu na
companhia da mãe, Rosana Ribeiro da Silva, e da avó, Luzinete Logarini.
Para Rosana, a ampliação e a
integração dos espaços deixou o passeio ainda mais interessante. “Eu já havia
vindo no aquário quando era menor. Agora, com esse tanque novo e com o museu,
temos mais peixes e mais coisas para ver”, afirma. Luzinete também gostou da
exposição fotográfica logo na chegada do museu. “Aquelas fotos são lindas e
remetem às nossas lembranças”, diz.
Marcos Vinícius Fico teve uma
razão mais pessoal para visitar o aquário nesta sexta. “Eu gosto de pescar,
então, ver as espécies aqui é muito bom”, afirma. Ele e a namorada Mariana
Bertão Santos visitaram o espaço pela primeira vez e também ficaram
impressionados com a amplitude do museu. “Essa parte da história de Londrina,
passando pelo café, pelo algodão... É muito legal para pensarmos como estamos
hoje”, diz Mariana.
Já para o casal Pedro e Elizabete
Magro, a visita foi quase uma viagem no tempo. “Esses utensílios de cozinha me
lembram da casa da minha mãe. Volta na memória a casinha de madeira, onde
vivíamos”, conta, ao lado de bules e panelas antigas, esfregão de metal e do
ferro de passar a carvão, todos em exposição.
Um pouco mais ao lado, Pedro
explicava para seu filho Alex e para o neto João Guilherme como usava os
utensílios da lavoura de antigamente. “Eles (filho e neto) não têm essas
informações, mas eu tenho. Passei a minha vida na roça de café. Esses tratores
eram o máximo da modernidade naquela época”, diz, em referência ao maquinário
em exposição. E continua: “Eu e minha mulher viemos para a cidade e nos casamos
na década de 1970. Meus filhos não passaram pela roça, mas nós vivemos isso”,
afirma, com nostalgia de uma época em que o suor humano também alimentava as
terras da lavoura.