O controle da Salmonella é discutido no Encontro de Avicultores na ExpoLondrina

Doença afeta aviários de todo o país

A ExpoLondrina foi palco de uma importante discussão sobre a avicultura no Brasil. Cerca de 200 produtores estiveram reunidos no Encontro de Avicultores e a principal discussão foi em torno do controle da Salmonella. A salmonelose é uma doença que tem afetado aves de granjas em todo o país, e o seu controle ainda é um problema para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como explicou, Lucimar Gonçalves de Souza, do Sistema de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura, palestrante do Encontro.

“Está sendo feito um trabalho intenso tanto no campo quanto nas indústrias e hoje a investigação está sendo muito maior, praticamente todos os produtores estão sendo pesquisados em todos os lotes de produção. Há uns 4 anos atrás isso não era realizado. Apesar de todo esse trabalho, hoje ainda temos indústrias com uma média de 60% de lotes positivos para a Samonella. Ainda tem tido muito problema, tem muitas empresas e industrias sob regime de fiscalização. Mas está sendo feito um trabalho muito sério, por isso acredito num futuro promissor para a avicultura”.

A Salmonella pode entrar nas granjas através de diversas fontes, por isso, o controle exige rigor do produtor. Para o Ministério da Agricultura, o foco é manter sob controle os tipos de salmonella (Tiphimurium, Enteritides ou Monofásicas) que causam doença a seres humanos ou que impactam a saúde de aves e prejuízo avícola. A Salmonella ssp não causa doença em quem come, mas a carne contaminada não pode ser exportada para outros países da União Europeia, Chile, China e Estados Unidos. Como é uma ocorrência endêmica, é sempre alvo de barreiras sanitárias na comercialização de produtos entre os países – o que traz muito prejuízo econômico para toda a cadeia produtora.

Os órgãos sanitários monitoram e controlam a salmonella nos estabelecimentos avícolas fazendo coletas periódicas e análises que são realizadas em laboratórios oficiais e credenciados. O objetivo é reduzir a presença da bactéria em produtos de origem avícolas, oferecendo alimentos mais seguros para os consumidores internos e para os compradores externos.

Durante o Encontro de Avicultura, os produtores também conheceram as formas de controlar a Samonella na granja:

- Controle da origem das aves: ter sempre pintainhos saudáveis e livres de salmonella;

- Desinfecção do ambiente e vazio sanitário: ter sempre aves da mesma idade, permitindo a saída delas ao mesmo tempo (não manter aves do lote anterior interagindo com as atuais); fazer a higienização de todo o ambiente (bebedouros, comedouros, piso, parede, forro, equipamento, teto e telas). Fazer sempre reparos na estrutura da granja antes de alojar novas aves;

- Cuidado com a qualidade da água e da ração para não haver contaminação de microrganismos que sejam risco para a saúde animal;

- Garantir o isolamento e restrição do contato dos frangos: manter longe de pássaros, outras aves (patos, galinhas caipiras), gado bovino, suínos, gatos, cachorros. Atenção especial para evitar roedores e insetos dentro da granja;

- Restringir o acesso de pessoas: acesso apenas de pessoas do sistema produtivo (granjeiro e técnicos). Ser rigoroso com a limpeza de sapatos e roupas e manter bons hábitos de higiene de quem tem acesso ao local;

- Dar destino correto a aves mortas: fazer a compostagem. Ter um contentor de aves mortas e só retirá-las após os trabalhos no galpão.

- Fazer o manejo correto das camas

- Manter a limpeza e organização do ambiente externo à granja: fazer a limpeza e sanitização de tudo que entrar no aviário;

- Manter o treinamento de funcionários e todos os envolvidos na granja: conhecer os processos de transmissão e as medidas preventivas indicadas;

- Acompanhar as novidades sobre a Salmonella: as novas pesquisas, novos manejos.

Tomando esses cuidados, o produtor consegue fazer o controle da entrada da bactéria no aviário. “Ainda precisamos melhorar, mas o nosso papel é produzir alimentos tendo a Salmonella sob controle, e isso o Brasil já faz”, conclui Lucimar.

 

 

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