Diminuição da oferta de boi contribui para valorização da arroba

Além de abastecer o mercado interno, a pecuária exerce uma grande relevância nas exportações brasileiras

A diminuição da oferta de bois tem permitido a valorização da arroba, já constatada nos três primeiros meses do ano. Além disso,  as perspectivas de melhora nos indicadores econômicos deste novo governo, tende a elevar o ânimo da população e começar a gerar alguma demanda de consumo. A avaliação é do diretor de Pecuária da Sociedade Rural do Paraná, Ricardo Rezende.

“Não digo que será um consumo exacerbado, mas nós brasileiros gostamos muito de carne e acabamos consumindo mais quando as expectativas econômicas são boas”, afirma Rezende.

O diretor lembra que, além de abastecer o mercado interno, a pecuária exerce uma grande relevância nas exportações brasileiras. “O Brasil aumentou o leque de exportações, nos últimos anos, não só em termos de acordos comerciais, mas sobretudo sanitários que, eventualmente, podiam ser empecilhos para exportarmos”, disse Rezende, acrescentando que o Brasil vem se consolidando cada vez mais no contexto internacional – em 2018, o País embarcou o recorde de 1,353 milhão de toneladas de carne in natura, registrando faturamento de US$ 5,6 bilhões.

A ida recente da ministra de Agricultura e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina, aos EUA, sinaliza, na opinião dele, um avanço com o governo americano, que vai enviar uma comitiva ao Brasil para fazer análises sanitárias e liberação de novos frigoríficos. “Retomar as exportações para os EUA é excepcional. Queira ou não, o Brasil é o maior produtor do mundo e nossa carne tem eficiência e qualidade. Com isso, a tendência é cada vez mais entrarmos em novos mercados, até porque o Brasil tem um controle sanitário realmente eficiente”, argumenta o diretor.

Sobre o fato de o Paraná se tornar área livre de febre aftosa sem vacinação, ainda este ano, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), como deseja o Governo, Rezende mostra-se contrário à antecipação. “Há um descompasso na programação de fechamento de barreiras dos estados vizinhos. Nós entendemos, e estudos da Cepea comprovam, que este isolamento pode trazer reflexos negativos ao Estado neste momento. Queremos a paralisação da vacinação, mas entendemos que ela seja gradual, acompanhando o movimento de outros estados, para o produtor poder ter o trânsito de animais entre os estados que estejam no mesmo período de processo”, argumenta Rezende.

Ele salienta que isto evitaria um possível problema econômico aos pecuaristas paranaenses e, por consequência, aos de outros estados. “Sem condições de transitar animais, podemos sofrer um déficit de animais dentro do Estado”.

Outro ponto destacado por ele é com relação a Santa Catarina, que levou 14 anos pleiteando esse status. “Acredito, que neste momento, seria prudente trabalharmos de forma mais aliada com outros estados para termos uma pressão menor do preço do produto aqui dentro do Paraná”. Segundo ele, está agendada uma reunião com o Secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento (SEAB) para os próximos dias para tentar chegar a um consenso. “ Teremos um diálogo, isto é certo, mas estou como São Tomé, preciso ver para crer”.

 

Animais no Parque

Pelo menos 6 mil animais - entre cavalos, suínos, bovinos e ovinos – passarão pela ExpoLondrina 2019 até o último dia, 14 de abril. A expectativa, segundo o diretor de Pecuária, Ricardo Rezende, é de um aumento no volume de comercialização em torno de 5% a 10% em relação a 2018. Só em bovinos foram comercializados cerca de R$ 20 milhões nos leilões do ano passado.

Notícia anterior Sociedade Rural anuncia... Próxima notícia Uma manhã dedicada ao...